quarta-feira, outubro 31, 2007

Atribuído pela cidade de Granada
Diploma para Zé Oliveira Na cerimónia de inauguração da exposição "Granada nos Maravilha" que decorreu no âmbito do "I Encuentro Internacional de Humoristas Gráficos em Granada", Zé Oliveira (coordenador do Buraco da Fechadura) foi agraciado com um diploma da cidade de granadina que o nomeia "Ujier Mayor encargado del Humor del Palácio Consistorial de Granada".
"Ujier Mayor" significa algo que, depois de traduzido, se situa algures entre os conceitos de arquivista e de senhora da limpeza. Conforme o grau de amizade/inimizade que me dedica cada web-leitor.

http://www.ruipimentel.com/
Do Puro Veneno ao Açúcar Refinado

Como se recordarão, Buraco da Fechadura anotou indignadamente a suspensão do "Puro Veneno" de Rui Pimentel na revista "Visão".
Como consequência da necessidade de estar vivo e actuante na sociedade, como ele próprio diz, criou agora um blog (que nos faz pensar quão pequenino é o nosso monitor...).
Primeiro, leiam as suas palavras que vão aqui de seguida e depois vão lá ver os seus magníficos trabalhos.
«O meu blog 20anos depois de entrar como caricaturista para a empresa que editava "o jornal" e a seguir "A Visão", fui dispensado. Motivos expressos: "Remodelação gráfica". Motivos contados por portas travessas: Uma história de um administrador que embirrava com o meu trabalho, que já tinha tentado pôr-me fora sem sucesso, que voltou à carga por ocasião da "remodelação gráfica" e que, depois de alguma resistência interna, conseguiu os seus intentos, depois de esclarecer quem pagava os salários. Quem achar que não foi assim, pode sempre contar a verdade, já que esta nunca foi posta em cima da mesa.Este Blog surge como consequência da necessidade de estar vivo e actuante na sociedade portuguesa através do cartoon, da caricatura, da BD, e outros meios que gosto de utilizar para transmitir as minhas ideias. Talvez com o tempo possa ser mais do que isso, uma espécie de diário das minhas actividades, um diálogo com o público».
Rui galardoado na Amadora
Rui Pimentel foi o caricaturista português distinguido este ano no Festival de Banda Desenhada da Amadora, em cerimónia que decorreu no passado fim-de-semana e contou com a inauguração de uma exposição de trabalhos seus, que retratam figuras da música portuguesa.
...e Lloyy também
A distinção para caricaturista estrangeiro recaiu este ano sobre Lloyy, um jovem artista cubano que vive em Alcalá de Henares há cerca de 10 anos.
O coordenador de Buraco da Fechadura teve o prazer de o abraçar em Alcalá, antes da sua partida para a Amadora.

segunda-feira, outubro 15, 2007

domingo, outubro 14, 2007

Dois Encontros de Caricaturistas
Zé Oliveira é o único português
presente em Alcalá e Granada
Como tem acontecido quase todos os anos, Zé Oliveira (coordenador do Buraco da Fechadura) participa com um desenho e estará presente pessoalmente durante todo o Encontro. Aliás, a sua participação tem desta vez uma particularidade inédita: será o único português a participar pessoalmente.


Abaixo, o desenho com que Zé Oliveira participou em Alcalá de Henares e cujo tema era "Traços pela Igualdade", numa perspectiva de equilíbrio entre homem e mulher.





O programa de Alcalá

Com início dia 16 às sete da tarde, o Encontro começa com a Inauguração da exposição "Traços pela Igualdade".


No dia seguinte, decorre fulcro do Encontro, em torno de Eduardo Ferro, o galardoado com o Premio Quevedos deste ano. E debater-se-á o tema "Humor e Exílio".


Arturo Yépez, cartoonista e investigador de Porto Rico, profere a conferência "As publicações satíricas: passado, presente e futuro".


Dia 18, entrega do Prémio Quevedos a Eduardo Ferro e inauguração da sua exposição "70 anos de puro humor".


Dia 19, Inauguração de Jovens Criadores de Alcalá e concerto.


Dias 20 e 21 - Festa da Caricatura, com animação musico-teatral e actividades de crianças. E desenho de mural gigante.


De Alcalá para Granada

Dias 26, 27 e 28, decorre o Primeiro Encontro de Caricaturistas em Granada no qual Zé Oliveira é 'Convidado Especial' (sendo previsto que, em anos futuros, haja sempre um caricaturista estrangeiro com esse estatuto).


Zé Oliveira participa com este cartoon, que representa o dominicano Frei Luís de Gradada, assim chamado por ser natural daquela cidade (1505), filho de um migrante galego de Sárria (Lugo).


Quem foi Luís de Granada

Luís teve de se exilar em Portugal, por ter sido em Espanha um crítico contundente das práticas da Inquisição. Viveu em vários sítios de Portugal, designadamente na Batalha, Pedrógão Grande e Lisboa, onde morreu em Lisboa a 31 de Dezembro de 1588, com 83 anos de idade, tendo vivido 47 em Portugal, onde foi professor e confessor do rei D. João III, da rainha D. Catarina e do cardeal infante D. Henrique.

A frase do cartoon

A frase que consta do cartoon foi realmente pronunciada pelo frade, quando Filipe I de Portugal (Filipe II de Espanha lhe solicitou que divulgasse, no nosso país, as "simpatias" da ocupação filipina. Mas o frade recusou esse apoio, retorquindo com aquela frase. A afirmação é reforçada pelas duas bandeiras, num aproveitamento da coincidência de a bandeira nacional de Portugal e a do município de Granada diferirem essencialmente no facto de terem as mesmas duas cores em posição inversa.

sábado, outubro 13, 2007

Semanário "Região de Leiria"
O cartoon de Zé Oliveira Obviamente, o autor tem o maior respeito pelos atletas de alto rendimento. Mas este jogo de palavras apresentou-se irresistível, numa altura em que verificamos que actividades como a da banca pagam impostos irrisórios (que eles talvez achem demasiados...).
Semanário "Região de Leiria"
O cartoon de Zé Oliveira
Só consegue ler, se clicar sobre a imagem
Simples cruzamento de dois dados, um dos quais é a tradicional "prossição dos caracóis" que decorreu há dias no Reguengo do Fètal, alumiada com milhares de mini-candeias de azeite vertido numa concha de caracol.


Semanário "Região de Leiria"
O cartoon de Zé Oliveira

Por vezes, os caprichs do acaso facilitam-nos a vida fornecendo de bandeja a ideia do cartoon.
Ressalve-se que quando isto acontece, o cartoonista deixa-se embalar pela facilidade da ideia e... não vai além do trocadilho fácil, com prejuízo do impacto crítico.
Mas que esta coincidência de notícias (a que o cartoon alude) foi curiosa, lá isso foi!...






Amanhã à noite, na RTP 2
Caricatura e liberdade de expressão

Os caricaturistas Augusto Cid e André Carrilho participam na edição de amanhã (Domingo) do programa "Câmara Clara", da RTP-2, para debater as razões e consequências das repetidas acusações de constrangimentos à liberdade de expressão.
Cid e Carrilho, respectivamente um decano e um jovem, debaterão sobre se há ou não limites para a sátira, sobre os seus mestres no universo da provocação e sobre os seus ódios de estimação.

O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora é outro dos temas do programa.

À esquerda: Cid (autocaricatura). À direita: Carrilho (por Zé Oliveira)


sexta-feira, outubro 05, 2007

O artigo que segue foi escrito para o número de 40º aniversário do semanário Trevim (da Lousã). Não obstante extenso, arrisca-se a sua publicação.

Precisamos de futuro
Texto: José Oliveira

Em quatro décadas muda muita coisa, no mundo da comunicação.
Na altura em que nasce o Trevim, a Televisão portuguesa é uma criança de dez anos, um só canal a preto e branco que encerra a emissão antes da meia-noite e tem só três anos de experiência de utilização de imagens gravadas em vídeo.
O conceito de novela diária é exclusivo da rádio e falta ainda uma década para que a “Gabriela” chegue aos ecrãs domésticos, adaptada pela Globo para TV a partir de um romance de Jorge Amado.
O Telejornal é tão cinzento nas palavras como na imagem e culmina com gravações de jovens que, vestindo camuflado e abraçando a G3, cumprimentam os pais e namoradas a partir dos cenários da guerra colonial terminando quase invariavelmente com esta frase: “Adeus, até ao meu regresso”. Mas chega a acontecer que, por atraso ou descoordenação, a gravação é transmitida depois do seu funeral.
O Marcelo que dentro em pouco passará a comentar na TV as diatribes da “política” num programa chamado “Conversas em Família” chama-se Caetano, é primeiro-Ministro, descende da Serra da Lousã e é padrinho do actual Marcelo-comentador.
A canção nacional enaltece as virtualidades da pobreza, que faz rimar com pão e vinho sobre a mesa. Em contraponto, praticamente sem acesso à rádio ou à televisão cant
am Zeca Afonso, Adriano, Luís Cília, Manuel Freire, José Mário Branco, Tordo, Paulo de Carvalho.
O Diário de Notícias e a Época escrevem o que o Estado determina, O Século divulga o que a censura permite, o Diário de Lisboa e o República vão comunicando com o leitor em linguagem quase cifrada. No Diário Popular, Francisco Pinto Balsemão (sob os auspícios de um tio, principal accionista) dá os seus primeiros passos num jornalismo de eficácia moderada, lado a lado com as belíssimas e também cifradas reportagens de Baptista Bastos.
Ainda não há revistas cor-de-rosa, e as de cores-outras pouco mais são do que ensaios de policromia em offset.
Telemóveis ou Internet ainda nem se adivinham, as mensagens são cartas que vão pela mão do carteiro, começando por desejar ao outro “que goze de boa saúde, que nós ficamos bem, felizmente” e terminando subscritas “com elevada consideração e estima”, preceitos de aparente felicidade e obrigatória disciplina que o regime fomenta.
Ir a Lisboa é uma aventura que pode custar a vida a um frango da capoeira, condenado a farnel.

Alguns sucumbiram

Jornal local é quase sempre uma folha paroquial, que informa pouco mais do que os horários da catequese e a lista de donativos para as obras da igreja; as “Conversas à Fogueira” ou “à sombra do Castanheiro” não são crónicas do jornal da paróquia, são do Amigo do Povo, que contudo se vende na sacristia e é editado pela diocese, com cabeçalho impresso a partir de gravura talhada em madeira pelo monsenhor Nunes Pereira, serrano de Fajão, gravura que faz lembrar as letras que titulam O Primeiro de Janeiro.
Quando o Trevim nasce, claramente em corajosa contracorrente, não tem mais do que dois ou três jornais de âmbito regional ou local que honradamente possa encarar como irmãos de luta. O Jornal do Fundão é o mais velho, contando então 21 anos e tendo sofrido uma suspensão de seis meses em 1965. O Notícias da Amadora tem mais nove anos do que o semanário lousanense e o Comércio do Funchal surge nove meses antes do que o Trevim, com Vicente Jorge Silva a capitanear a equipa. Devido à corajosa força crítica dos seus conteúdos, o Comércio do Funchal chega a atingir 14 e 15 mil exemplares de tiragem, dos quais só um milhar fica na ilha. Os restantes são assinados por portugueses do continente e do resto do mundo. Porque os tempos exigem militância e solidariedade.
Presentemente, o Jornal do Fundão é detido maioritariamente por um dos mais fortes grupos de média portugueses, enfileirando com o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24 horas, TSF, etc. O Comércio do Funchal encerrou há bastantes anos e o Notícias da Amadora deixou de imprimir-se em Dezembro de 2006.

Tempo de competição

Em quatro décadas mudou muita coisa, no mundo da comunicação.
As notícias avassalam-nos agora mediante uma infinidade de canais de TV, rádio, Internet, telemóvel, jornais gratuitos. O próprio Público que Vicente Jorge Silva veio fundar, é oferecido gratuitamente desde há cerca de um mês nos hipermercados do grupo a que pertence.
Não raro, a notícia do fundo da nossa rua demora mais a chegar ao semanário local do que à redacção do telejornal (e dali ao nosso televisor, pode ser uma questão de minutos). Porque hoje, nestes tempos de concorrência desenfreada (e cega…) nada se faz eficazmente sem um elevado profissionalismo. Editar um jornal, mesmo local, como é o caso do Trevim, implica assumir a consciência da necessidade de competir. É preciso que o jornalista, licenciado ou não, saiba escrever de modo conciso e claro, seja culto e tenha imaginação. Deve estar o mais possível identificado com o meio em que se insere, saber cultivar as fontes e ter liberdade para isso, saber organizar graficamente as matérias repartindo-as em caixas de modo a tornar o aspecto esteticamente apetecível ao mesmo tempo que possibilita que o leitor leia toda a matéria ou só parte dela, consoante o seu interesse ou tempo disponível. E o jornalista deve ser estimulado para tudo isto, tendo em conta que o profissional da imprensa local necessita de ser mais abnegado e eclético do que os colegas da imprensa de âmbito nacional.
Ao jornalista da imprensa local, não basta ser eficaz a escrever. Ele tem de ser fotógrafo, secretária da Redacção, gráfico. Tem de possuir a percepção de que não pode “despejar” uma página inteira de texto, com ilustração insignificante ou inexistente, sob pena de perder para essa página todos os leitores ou quase.
Nos corredores do jornalismo contemporâneo, diz-se que nas redacções se vive, hoje em dia, sob a “ditadura dos gráficos”. E é um tanto verdade, queiramos ou não. Se a forma não é convidativa, o conteúdo não terá leitores. Não basta publicar, é preciso fazer ler. Isto não quer dizer que se deva condescender, significa que se deve usar de estratégia.

Autosuficiência e profissionalismo

O tempo da subsidiodependência passou e já não volta. Agora, cada jornal tem de conquistar mais leitores, mais publicidade, administrar melhor as despesas. Deixou de ser sustentável que uma equipa profissional (redacção e restantes serviços) seja administrada amadoristicamente, do mesmo modo que não faz sentido interpor a actividade de conselhos editoriais ou similares igualmente amadores a condicionarem o trabalho de profissionais.
O espaço de um jornal local é precioso, designadamente porque não lhe sobram as páginas. Por isso, deve resistir à proliferação de colaborações que nada tenham de local, ainda mais quando essas colaborações são publicadas em simultâneo em vários jornais da região.
Um jornal, até por definição, é um veículo de tratamento da actualidade. Deve, portanto, ser parcimonioso na inclusão de colaborações que tenham a característica de memórias históricas. Mais ganhará se fizer passar essas informações quando o contexto de peças principais o justificar.

Convivência democrática

Um periódico local deve ser uma voz crítica, identificado com o leitor, independente e plural, mas nunca o jornal ou a sua administração deverão tentar actuar como forças de bloqueio, porque isso é exactamente o contrário da sua função. Em democracia, quem ganha umas eleições adquire o direito ao respeito de todos. E também adquire a obrigação de sujeição à crítica, que tem de ser séria e consequente. Em contracorrente, mas não gratuitamente bloqueadora, demolidora por princípio. O homem moderno obriga-se a isto: criticar quando for caso disso, mas conviver civilizadamente com o criticado. E os jornais (todos eles, incluindo os locais) têm de fomentar esta modernidade; porque nós precisamos de futuro.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Zé Oliveira entrevistado hoje
no "Ideal" de Granada





A edição de papel do "Ideal", de Granada, publica hoje uma entrevista com o coordenador do Buraco da Fechadura.
A entrevista é justificada pelo facto de o coordenador do Buraco ser convidado do I Encontro de Caricaturistas em Granada, que decorre nos próximos dias 26, 27 e 28 de Outubro.

Esta foto foi tirada pelo próprio fotografado, com a máquina na ponta do braço estendido. Foi uma solução de recurso, para poder responder rapidamente ao solicitado pela Redacção do "Ideal" (porque a gente nunca tem ao canto da gaveta a foto que nos pedem...).
Segue a entrevista:
VIVIR
«Observo desde una perspectiva de ciudadano común, pero con mirada crítica»
03.10.07 -
MIGUEL Á. ALEJO

Zé Oliveira es uno de los humoristas gráficos más importantes e influyentes de la Península Ibérica. Así lo corroboran la infinidad de colaboraciones y la cantidad de premios obtenidos a lo largo de su carrera. Si su obra se define por la sencillez de sus personajes, en sus textos habla de la filosofía más universal. Oliveira es uno de los invitados principales al I Encuentro de Humoristas Gráficos, que patrocina IDEAL y que se celebrará a finales de octubre en Granada.

-¿Cómo un topógrafo acaba haciendo humor?

-Topografía es grafía y tiene esa connotación con el humor gráfico y la caricatura de prensa. Empecé publicando humor gráfico y sólo después (completados tres años se servicio militar, dos de ellos en la guerra colonial de Angola) inicié mi actividad como topógrafo por tres razones. La primera, en los años 70 no era posible sobrevivir como dibujante de humor ni como periodista; la segunda, mi facilidad para dibujar, característica esencial para un topógrafo; y la tercera, la topografía me posibilitaba los viajes permanentes al interior de mi país, en íntimo contacto con todo tipo de clases sociales y eso alimentaba mi alma de reportero.

-Se dio a conocer a través de 'El Broncas'. Defina ese personaje.

-'Broncas' ha sido un personaje masculino, dibujado durante 20 años, que deriva del contacto que la topografía me proporcionó con la vida rural. Es un hombre gordito, consecuencia del excesivo consumo de hidratos de carbono, que bebe vino pero no mucho, sólo lo suficiente para estimular sus ideas. Es rural pero atento a lo que ocurre. Un viejo chambergo (sombrero de ala ancha) le tapa permanente sus ojos, por lo que sólo mira lo que le interesa. Y viste unas ropas remendadas, porque no es rico, pero si feliz.

-¿Conoce Portugal el humor español?

-En general no se conoce nada del humor español y, entre los humoristas, son pocos los que tienen un conocimiento razonable de lo que se hace. Los más informados son los que han participado en el Encuentro Iberoamericano de Caricaturistas de Alcalá de Henares. Yo soy el que más ha asistido a Alcalá y eso me da un razonable conocimiento del humor español y de sus humoristas. Como curiosidad, hace 40 años un comediante portugués llamado Raúl Solnado tenía un fabuloso programa en la tele, radio, espectáculo y discos con unos diálogos escritos por Miguel Gila. Casi todos los portugueses desconocían que el autor era español y pensaban que era portugués.

Colaboración granadina.

-¿Mencione autores andaluces?
-Así rápido se me ocurre el nombre de José Orcajo y todo el equipo que dibuja en 'El batracio amarillo', donde publiqué algunos dibujos. No menciono más nombres del 'Batracio' por si se me olvida alguno, aunque abro una excepción para mencionar a Martin Favélis, por ser el alma mater de la iniciativa que me invita a Granada.

-¿Ha estado en Granada?

-No. Pero hace cerca de un mes, por una simple coincidencia durante sus vacaciones, mi hijo mayor se quedó algunos días allí. Me ha mostrado muchas fotos, dice que la ciudad es una de las más ricas de Andalucía y me comentó que se encontró con muchos portugueses con camisetas verdes y rojas (colores de la bandera portuguesa) pero después verificó que esos 'portugueses' hablaban castellano (tal vez andaluz). Yo, que ya he realizado algunas lecturas sobre Granada, adelanté que se trataba de la bandera granadina, que tiene sólo la diferencia de ostentar los colores en posición inversa. Del resto, conozco desde hace muchos años la prestigiosa figura de Fray Luís de Granada, un granadino de gran coraje que se exilió en Portugal por criticar a la Inquisición, lo que consta en el dibujo con el que participaré en el encuentro.
[N.R.: O desenho ao lado foi criado, a pedido, expressamente para ilustrar esta entrevista. É uma caricatura do granadino Federico Garcia Lorca.]

-En diferentes ocasiones ha dibujado a Saramago. ¿Que le une a él?

-Saramago está ligado a Granada por estar casado con Pilar del Río, una chica natural de Castril. Hace pocos meses han repetido su boda en Castril. La primera esposa de Saramago era natural de un pequeñísimo pueblo serrano y muy aislado del centro de Portugal, donde mi mujer fue profesora al inicio de su carrera. Lo que me liga a Saramago es que los dos formamos parte del gran equipo de fundadores (cerca de 40) que nos hemos asociado para crear una librería en Ourém (Fátima).

Observador

-¿Dónde coloca los trofeos y medallas que le otorgan por todo el mundo?

-Un poco por ahí, mezclados con mis libros y tan desarreglados como ellos. No doy mucha importancia a esas cosas. Lo que es importante de verdad son las amistades conquistadas. Es lo que importa coleccionar (y mantener limpio) más que todo.

-¿Cómo se pone al día para realizar sus chistes?

-Necesito prestar atención a los periódicos, noticiarios de radio y televisión y, sobre todo, a todo lo que me rodea. Observo desde una perspectiva de ciudadano común, pero con mirada crítica. Un importante humorista gráfico de mediados del siglo XX, llamado Leal da Câmara, afirmaba que «caricatura es quedarnos en la calle mirando quien pasa».

-Últimamente introduce elementos fotográficos y diversos retoques informáticos en sus chistes. ¿Cómo ve la inclusión del ordenador en el mundo del humorista? ¿Es una herramienta o una dependencia?

-Cuando no se dispone de tiempo proporciona economía de minutos en cada chiste. Además, es un instrumento inevitable en casi todas las actividades de hoy en día. Para los humoristas es una herramienta más, como los lápices, pinceles, plumas y rotuladores. Facilita no solo la ejecución de los dibujos, sino la consulta de enorme información gráfica. Si necesito dibujar la bandera de Barbados y no sé como es, recurro rápidamente a Internet. Pero el ordenador también me sirve para hacer mi 'revista de prensa' diaria y -no menos importante- es el que transporta los dibujos a las redacciones a cualquier hora del día o de la noche.