Grito do Ipiranga em Alcalá
Prémio Quevedos para Ziraldo
Ziraldo Alves Pinto, que assina Ziraldo, foi o caricaturista galardoado este ano com o Prémio Quevedos que bienalmente é atribuído pela Fundación General de la Universidad de Alcalá (Madrid). Portanto, dentro de aproximadamente um ano e em cerimónia de elevada dignidade, Ziraldo receberá a palma dos académicos e as palmas dos colegas na sala do Paraninfo do Palácio Cisneros.
Trata-se do primeiro autor de língua portuguesa a ser galardodo com o mais importante prémio mundial para a Caricatura.
Portugal esteve também representado com uma candidatura, a de João Abel Manta, cujo processo foi entregue pessoalmente em Novembro por Zé Oliveira, na qualidade de presidente da Direcção da FecoPortugal - Associação de Cartoonistas, entidade promotora.
Quem é Ziraldo?

Ziraldo Alves Pinto nasceu a 24 de Outubro de 1932 no estado de Minas Gerais, na pequena cidade de Caratinga, a cerca de 500 Km do Rio de Janeiro. De uma família de sete irmãos, e sendo filho de Zizinha e Geraldo, acabou por ser baptizado com uma mistura dos niomes dos progenitores: Ziraldo. (Foi também desse modo que o cartoonista pernambucano Lailson foi baptizado).
Aos 16 anos foi para Belo Horizonte, capital do estado, onde estudou na Faculdasde de Direito. Em 1958, ano em que completaria o curso, casou-se com Vilma, depois de sete anos de namoro. E foram pais de Daniela, Fabrizia e António, que lhes deram quatro netos.

Desenhador compulsivo desde cedo, todas as superfícies lhe serviam para garatujar: no pavimento dos passeios, nas paredes, nas aulas... E os seus pais nunca o constrangiram. Outra das suas paixões era a leitura. Lia tudo o que lhe aparecia e conhecia todas as revistas de BD. E pressentiu, ainda criança, que haveria de ser aquele o seu futuro.
Ziraldo visto por Brito
PublicaçõesComeçou por publicar mensalmente ilustrações na revista
Era uma vez… Em 1954 passou a ter uma página de humor em
A Folha de Minas, o mesmo jornal que publicou o seu primeiro desenho em 1938, com apenas seis aos.
Em 1957 começou a publicar na revista A Cigarra e posteriormente em
O Cruzeiro (1958). Em 1963 inicia colaboração com o
Jornal do Brasil,
onde publica diariamente uma tira de humor. O seu cartoon de crítica social e política no JB é, desde há 20 anos, uma referencia indispensável. Publicou também nas revistas
Visão e
Fairplay.
Durante os anos 60 as suas personagens
Jeremías, o Bom, a
Supermãe e, posteriormente, o
Mineirinho, tornaram-se popularíssimos.

Foi também nadécada de 60 quando realizou o seu sonho infantil
– converter-se en autor de Banda Desenhada – que lançou a primera revista brasileira do género feita por um só autor, reunindo um grupo de personagens, comandados por
Saci Pererê, que formavam parte do universo folclórico brasileiro tais como a pantera, o jabutí, o tatu, o conejo e o búho.
Saci de Pererê marcou uma época na BD brasileira.
Em 1964, com a toma do poder pelos militares, interrumpeu-se a publicação da
revista. Os seus ideas de preservação ecológica, solidariedade entre os povos,
necessidade de reforma agrária, entre outras, impediram a sua sobevivência ao golpe fascista do Brasil. No entanto, a força dessas personagens, tão tipicamente brasileiros, resistiu aos duros anos do militarismo.
Em 1973, a Editorial Primor do Río de Janeiro reeditou em 3 álbuns uma
selecção das melhores histórias de
Saci Pererê (a
pandilla de Pererê). As
histórias passaram a ser incluídas em vários livros didácticos publicados no Brasil, ajudando as crianças brasileiras a conhecer melhor a sua cultura.
Durante o período da ditadura militar (1964-1984) Ziraldo desenvolveu um trabalho intenso de resistência à repressão. Fundou com outros humoristas o periódico inconformista mais importante da imprensa brasileira:
O Pasquim.
Em 1968 Ziraldo vê reconhecido internacionalmente o seu talento pela revista
Graphis. Tambem publicou na
Penthouse e
Private Eye, de
Inglaterra;
Plexus e
Planète, de França, e
Mad, dos EEUU.
Em 1969 publicou o seu primeiro livro infantil,
FLICTS.Desde 1972 os seus trabalhos são seleccionados pelas revistas
Graphis Anual,
Graphis Parter,
Visión,
Playboy, e
GQ (Gentleme's Quaterly).
A partir de 1979 dedica mais tempo à sua mais antiga paixão: escrever histórias para criança. Publica
O planeta Lilás e
Anedotinhas do Pasquim.
Em 1980 lança o livro
O menino Maluquinho, posteriormente adaptado para teatro e cinema. Na sua página web tem uma versão para ópera infantil realizada pelo maestro Ernani Aguiar. Em 1989 começam a ser publicadas tiras com esta personagem.
Em 1994
O menino Maluquinho é adaptado ao cimena.
Oa seus livros estão traduzidos em espanhol, italiano, inglês, alemão, francês e basco.
Em 1999 croiu duas revistas:
Bundas e
Palavras.
Em 2002 surgiu
O Pasquim21.
Prémios
1969. Prémio Internacional do 32º Salão de Caricatura de Bruxelas.
Prémio Merghantaller, da Prensa Libre de América Latina, patrocinado pela
Asociación Internacional de Prensa, recebido en Caracas (Venezuela).
Convidado a criar o Cartaz anual da UNICEF, pela primeira vez realizado por um artista latino.
1980. Prémio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, em São Paulo.
2004. Prémio Internacional Hans Cristian Andersen.