sexta-feira, novembro 16, 2007


De Valência, crónica de Ché (José Maria Varona)
"A Terra em Perigo"
- Humor e mudança climática

A capa do catálogo

Conforme já anunciado por Buraco da Fechadura, inaugurou no passado dia 6 do corrente em Valência a II MOSTRA DE HUMOR GRÁFICO subordinada ao título "A Terra em Perigo - Um mundo sustentável é possível", com a presença de Vicente Botella e María Teresa Gómez em representação da entidade patrocinadora CAM (Caja Mediterráneo), Amparo Bou e Francesc Martínez em nome da União de Jornalistas Valencianos e de Juli Sanchis representando a FECO-España.

Para esta exposição foram recebidos 515 desenhos (dos quais se expõem 216), elaborados por uma série de humoristas gráficos de 40 países, dos quais 118 são de Espanha, 64 de Irão, 51 da Roménia, 41 da Sérvia, 27 da Grécia, 23 de Polónia, e outras nacionalidades.


Ché e o seu desenho


Das 118 obras de Espanha, foram seleccionadas 59, de 52 profissionais, designadamente Marisa Babiano, Angelines, Almarza, Sex, Madrigal, David Vela, Martín Favelis, Marpov, Kap, Subi, Álvaro, Tonisavski, Fandiño, Ubaldo, Edu, Carbó, Malagón, Ortifus, Enrique, Harca, Sebas, Piedecausa, Gab, Pepe Moreno, Sánchez, Quique, Lamber, Nerja, Furió y Ché.

Dos restantes países, anotamos Marlene Pohle, Ze Oliveira, Romeo Cruz, Mofrey, Isca, C. Brooz, Amancio, Wenes, Topán, Milahko, Ozer, Effat, Erdogan, André Botella, Vilian, Satso, Voigt, Lengher, Cheng, Cakmak, Zervo, Ms. Orzug, Luna, Tomson, Smirnov, Morlen entre outros.

As 216 obras seleccionadas são reunidas num magnífico catálogo cuja capa é do iraniano Boghosian.


Sebas, autor das fotos que publicamos


A inauguração foi animada com a participação de dois caricaturistas desenhando ao vivo: José Lanzón e Joaquín Aldeguer, que fizeram as delícias do público com as suas estupendas caricaturas.(Foto a baixo)


Lanzón (à esquerda) e Joaquin Aldeguer desenham ao vivo


Esta explendida colecção de desenhos - muitos deles de excelente qualidade -

pretendem denunciar em registo de humor a situação de mudança climática a que se encontra sujeito o nnosso planeta por culpa da contaminação produzida, em especial pela queima de combustíveis sólidos e líquidos, pela acumulação - na terra, mar e ar, de resíduos de todo o tipo, pela construção indiscriminada, o desapareciemnto de florestas vitimados pelos incêndios, pelo abate crescente de madeiras e pela criação de espaços para a produção de determinados produtos vegetais necessários para a sobrevivência de uma parte cada vez mais crescente de piopulação do nosso mundo.


A exposição está aberta ao público até 29 do corrente.


Nota:

Mais abaixo, em post independente, o desenho de Zé Oliveira (coordenador de Buraco da Fechadura)
Em Cuba
Nuez galardoado com
Prémio Nacional de Artes PlásticasO caricaturista cubano René de la Nuez acaba de ser galardoado com o Prémio de Artes Plásticas 2007, quando completa 50 anos de carreira.
É a primeira vez que em Cuba este prémio se atribui a um caricaturista, e o juri afirma que tomou em consideração a "consistente e sustentada trajectória por mais de cinco décadas".
Símbolos entranháveis
A este reconhecimento, não é alheia a sua contribuição para "o imaginário popular, a partir de uma rigorosa síntese artística, com entranháveis símbolos de identidad e resistencia", de que são exemplo as suas personagens "El Loquito" (desenho abaixo) e "Los barbudos", como se lia recentemente no diário oficial Granma.

René de la Nuez nasceu em San António de los Baños em 8 de Setembro de 1937 e iniciou a sua actividade satírica justamente com "El Loquito" no jornal Zig-Zag.
Mais de 80.000 desenhos
Graduado em Jornalismo pela Universidade de Havana, é o caricaturista cubano com mais livros publicados e já produziu mais de 80.000 desenhos, fez mais de 20 exposições individuais e acumula inúmeras distinções, designadamente a Medalha Alejo Carpentier, uma deas mais importantes que otorga o ministério da Cultura cubano.
Prémio desde 1994
O Prémio Nacional de Artes Plásticas, instituido en 1994 pelo Conselho Nacional de las Artes Plásticas, é atribuído anualmente a um artista vivo, residente no país, cuja obra tenha sido um instumento valioso para o desenvolvimento e história da plástica cubana.





















Caricaturas do coordenador do Buraco da
Fechadura, por René de la Nuez
......
À direita:
Auto-caricatura de Nuez (http://humorgrafe.blogspot.com/)
Concurso de Humor
Humoral da História celebra um ano

O Humoral da História, o blog onde as notícias são dadas a rir, está a completar o seu primeiro aniversário. Para comemorar esta data, o Expresso lança o concurso " Dê Voz ao Cartoon", em que as pessoas são convidadas a dar ideias engraçadas para preencher o balão do cartoon. O prémio para quem ganhar é o original do desenho autografado pelo autor, o cartoonista Rodrigo. Para saber mais: http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/168221 .




Cartoon de Zé Oliveira em Valência

"A Terra em Perigo"

É este o cartoon com que Zé Oliveira participa na exposição "A Terra em Perigo", organizado pela Feco-Espanha.

A inauguração ocorreu no passado dia 6, com 515 obras de 220 autores de 40 países.

Para ter uma leitura nais eficaz, faça clik sobre a imagem.

Acrílico sobre cartão

quarta-feira, novembro 14, 2007

Caso da El Jueves: Tribunal decidiu ontem
Humoristas condenados em 3000 euros cada

Os dois autores do cartoon da capa da revista satírica El Jueves que originou a apreensão da edição de 20 de Junho foram ontem condenados a pagar uma multa de três mil euros cada um.
Segundo entendeu o tribunal, a caricatura do casal de príncipes herdeiros num acto sexual, desenhada pelo cartoonista Guillermo Torres segundo uma ideia de Manel Fontdevilla (também desenhador), "ofende o príncipe" Felipe e a sua mulher Letizia.
O Ministério Público tinha pedido uma multa de seis mil euros para cada um dos acusados, e pretendia que fosse tido em conta um artigo do Código Penal espanhol que prevê até dois anos de prisão para quem "caluniar ou insultar o rei e qualquer um dos seus ascendentes ou descendentes".
O cartoon em causa satirizava a decisão do Governo socialista espanhol de conceder um "cheque-bebé" no valor de 2500 euros aos pais de cada criança que nasça em Espanha. O desenho representava Filipe e Letizia, em pleno acto sexual, enquanto o príncipe afirmava: "Já viste? Se ficas grávida... isto vai ser a coisa mais parecida com trabalho que fiz na minha vida!".
A defesa declarou que vai recorrer da decisão judicial.

Como El Jueves viu o caso
Para ver como o acusado Manel Fontdevila interpretou a reacção à apreensão da El Jueves, clique aqui: http://www.eljueves.es/secuestro/manel.aspx
E para conhecer a visão igualmente bem humorada de Monteys, clique aqui: http://www.eljueves.es/secuestro/monteys1.aspx

terça-feira, novembro 06, 2007

Crónica de Ché (José Maria Varona)
Encontro de Caricaturistas em Alcalá
Da esquerda para a direita: Mordillo, Ghé, Forges, Ermengol e Nani

Como acontece desde 1992, decorreu a 16 de Outubro a inauguração da XIV Mostra Internacional de Humor Gráfico de Alcalá sob o título "Traços pela Igualdade", a qual permanecerá aberta até 18 de Novembro.

Estas Mostras pela Fundação Geral da Universidade de Alcalá de Henares (Madrid), com o patrocínio de entidades particupares e oficiais, em especial os Ministérios da Cultura e Exteriores do Governo de Espanha.
35 países
Este ano participam 133 desenhos de outros tantos artistas de 35 países espalhados por todo o mundo, alguns tão afastados e exóticos como a Índia, Irão, Mongólia e Uzbekistão, embora a grande maioria das obras provenha de Ibero-América, Portugal e Espanha. A exposição admirar-se na Sala San José de Caracciolos de Alcalá e conta com um um magnífico catálogo.



Ché e o seu desenho

De Espanha...

A mostra possui um elevado nível de qualidade, graças à selecção de trabalhos, uns em branco e negro e outros a cores, em geral elaborados por por humoristas gráficos com reconhecido mérito artístico, como é o caso dos espanhóis: Mingote, Ballesta, Almarza, Azagra, Álvaro, Kap, Forges, Juancarlos, Gallego y Rey, José Julio, Madrigal, J.L. Martín, Toni, Angelines, Ricardo, Orcajo, Jotajota, Peridis, Marpov, Mel, Ozelui, Idígoras y Pachi, Romeu, Lola, Máximo, David, Marisa, Sex, Caín, Crist, Postigo, Munoa, Zulet, Quique, Lamber, Enrique, Harca, Piedecausa, Nerja, Malagón, Ché e otros.

...e de outros países
De outras partes do mundo estão as obras de: Marlene Pohle, Ferro, Nando, Kappel, Sciammarella, Omar, Bacteria, Alfredo, Ermengol, Vane, Ana Von Rebeur, Lailson, Yayo, Nani, Turcios, Oki, Miriam, Ares, Laino, Betto, Alecus, Amorim, Lloyy, de la Nuez, Cakmak, Vilma, Ruz, Mofrey, Cintiabolio, Banegas, Elena, Garci, Boligan, Trizas, Rruizte, Pedro Sol, Ze Oliveira, Arturo Yepes, Ms-Orzuj, María Centeno, Régulo y Rayma entre muchos otros.

Festa da Caricatura e...

O evento foi acompanhado por uma série de actividades como foi o caso de ateliers em centros docentes e penitenciários, conferências, apresentação de livros, encontro de autores e actividades ao ar livre: a Festa da Caricatura, a preparação do livro e do mural gigantes sob o tema Igualdad de Género, etc, com a participação muito activa de um elenco de desenhadores iberoamericanosd forma muy activa un nutrido elenco de dibujantes iberoamericanos e espanhóis e o caricaturista Ze Oliveira em representação de Portugal.

Da Comunidad Valenciana, além dos citados anteriormente, incorporou-se José Lanzón que fue especialmente convidado para a Festa da Caricatura que durou dois dias. Também foi convidado o desenhador Bonil, do Ecuador.

Prémio Quevedos para Ferro
A XIV Mostra Internacional de Alcalá de Henares foi aproveitada para a entrega do quinto Prémio Iberoamericano de Humor Gráfico QUEVEDOS que este ano distinguiu o mestre dos mestres, - como gostam de chamar - lhe Quino, Mordillo e o recém desaparecido Fontanarrosa - o argentino Eduardo Ferro nascido em Avellaneda província de Buenos Aires no ano de 1917, cuja obra foi conhecida principalmente através das revistas "Patoruzú", "Patoruzito" e o diário "La Razón", e dos seus personagens mais conhecidos como "Bólido", "Cara de Angel", "Chapaleo", e em especial por "Langostino", "um marinheiro solitário, boémio e filósofo, que que percorria os sete mares a bordo do seu barquito "Corina".


Cármen Ferro, Juam Garcia e Mingote, decano dos caricaturistas espanhóis


O Prémio
O galardão em forma de estatueta com a a figura de Quevedo saltando sobre os seus famosos óculos - o máximo neste momento para premiar o humorismo gráfico no âmbito Iberoamericano - foi entregue, em face da sua ausência motivada pelos seus avançados noventa anios de idade, ao também muito conhecido mestre do humor gráfico (sem palavras) Guillermo Mordillo, o qual, recebendo-o das mãos do ministro da cultura César Antonio Molina, por sua vez o fez chegar à filha do premiado, senhora Carmen Mercedes Ferro, a qual dirigiu a todos os presentes umas sentidas palavras - as suas e as que anteriormente lhe havia ditado o seu "velho" - para agradecer, em nome de seu pai a todos os presentes, a atribuição de tão apreciado galardão como homenagem a uma vida inteira dedicada ao desenho.


A cerimónia
A cerimónia decorreu a 18 de Outubro no Paraninfo da Universidad de Alcalá de Henares; estiveram presentes, além do Ministro da Cultura, o reitor da Universidade de Alcalá Virgilio Zapatero, o alcaide da cidade Bartolomé González, o anterior reitor Manuel Gala, o director geral da Fundación General de la Universidad Arsenio Lope Huerta, o director do Departamento de Humor Gráfico Juan García Cerrada, o director de Cultura da Fundación de la Universidad de Alcalá Pedro Atienza, outras autoridades e representantes de meios de comunicação, além de um significativo elenco de humoristas gráficos de grande prestígio de Ibero-América, Portugal e Espanha.

O Prémio Quevedos fora concedido, anteriormente, aos humoristas gráficos Mingote, Quino, Chumy Chúmez y El Roto.


A exposição de Ferro
Pudemos admirar uma parte importante da obra de Ferro, numa exposição com muitos dos seus desenhos, instalada na Fábrica do Humor.

J. M. Varona "Ché"
Outubro 2007
Fotos de Ana Von Rebeur e Lamberto Ortiz

Nem a almoçar se descansa!

Ché aproveitou a ementa de uma das refeições para recolher testemunhos de amizade dos seus colegas.

Na metade da esquerda: Maria Centeno (Venezuela); desenho do próprio Ché (Espanha); Nerja (Espanha); Pedro Sol (México) aproveitando a foto da estatueta; Ché caricaturado por Zé Oliveira (Portugal); Zulet (Espanha).

Na metade direita: Mordillo (Argentina); Ché por Maria Centeno (Venezuela); Vane (Argentina); Ares (Cuba); Manuscrito de Cármen Ferro (Argentina).


quinta-feira, novembro 01, 2007

I Encuentro Internacional
de Humoristas Gráficos en GranadaA capa do catálogo é um cartoon de Kim (de El Jueves)

'Granada' significa 'romã'. Por isso esta mão aparece (em tamanho natural) segurando uma romã numa porta do pátio do Município de Granada, onde se exibe a exposição retrospectiva de Guillermo Soria, decano dos cartoonistas granadinos.


Guillermo Soria, cartoonista diário de 'La Opinión de Granada' (aqui em autocaricatura) tem uma exposição retrospectiva do seu trabalho no âmbito do 'I Encuentro Internacional de Humoristas Gráficos en Granada'


Manuel Caba (à direita) e uma sua escultura. À esquerda, Piedecausa.


Da esquerda para a direita: Fer (El Jueves), Martin Morales (ABC) e Zé Oliveira (Região de Leiria), enquanto apreciavam um livro biográfico do saudoso Gin e comiam umas tapas no restaurante 'Chikito' que pertence a um ex futebolista amante do cartoon. Comprova-o a colecção de excelentes originais que tem nas paredes, alguns deles do seu amigo Martin Morales.

E fez questão de nos mostrar um extenso texto escrito e assinado no Livro de Honra da casa por José Saramago.

O escultor Manuel Caba exibe a sua caricatura desenhada por Zé Oliveira (à esquerda). Kap espreira, rindo. Por trás de Kap, Usero. Sobre Manuel Caba publicaremos em breve um post.

O coordenador de Buraco da Fechadura em plena Alhambra


Os milhares de metros quadrados de paredes que existem em La Alhambra são totalmente revestidos por azulejos ou por arabescos (foto acima) em relevo.


Esta foto é uma brincadeira. A gazela está gravada em fosco sobre o vidro de uma janela de La Alhambra e bastou procurarmos uma posição que possibilitasse esta ilusão de óptica. Faz-nos lembrar o enorme cervo que existe no monte sobranceiro a Vila Nova de Cerveira.

Embora em plena Alhambra, este palácio é de construção mais recente. Foi erguido por decisão de Carlos V, que nele residiu durante seis anos.



Fotos de La Alhambra, surpreendente testemunho vivo da presença dos muçulmanos em Granada. São 800 anos de história, cuja visita é um deslumbramento. Se não tivessemos encontrado outros motivos de interesse (reabraçar colegas caricaturistas, visitar a catedral e outros monumentos da cidade, comer as tapas, almoçar nas 'cuevas'...) só pela visita a La Alhambra já teria valido a pena visitar Granada.

Zé Oliveira em entrevista a IDEAL de Granada IDEAL é um dos três diários que se publicam em Granada, onde aliás não existem semanários. Uma edição que tenmos aqui em cima da mesa tem 72 páginas, mas alguns são maiores (sem contar com as revistas e suplementos que semanalmente os integram).

Estamos a falar de uma área de 300 mil habitantes (cem mil, se avaliarmos apenas a sua área metropolitana) que conta ainda com cerca de 50 rádios (na área metropolitana são cinco, mais quatro estações de televisão)

IDEAL especial

Dois dias antes da inauguração da exposição, Zé Oliveira foi entrevistado durante quase toda a emissão de um programa televisivo de uma hora e um dia depois decorreria uma mesa redonda também televisiva, em directo de uma praça da cidade, tudo numa preocupação de divulgação do evento. Todos os jornais deram relevo ao acontecimento, mas o IDEAL destacou-se. No próprio dia da inauguração, distribuiu gratuitamente uma edição especial de 24 páginas integralmente dedicadas ao certame. A entrevista dos dois recortes (em cima e em baixo) contém essencialmente o mesmo texto, porque a edição especial foi criada, em parte, com aproveitamento de textos já publicados na edição normal.


Aqui ficam os recortes para arquivo, porque o conteúdo já havia sido editado aqui no Buraco.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Atribuído pela cidade de Granada
Diploma para Zé Oliveira Na cerimónia de inauguração da exposição "Granada nos Maravilha" que decorreu no âmbito do "I Encuentro Internacional de Humoristas Gráficos em Granada", Zé Oliveira (coordenador do Buraco da Fechadura) foi agraciado com um diploma da cidade de granadina que o nomeia "Ujier Mayor encargado del Humor del Palácio Consistorial de Granada".
"Ujier Mayor" significa algo que, depois de traduzido, se situa algures entre os conceitos de arquivista e de senhora da limpeza. Conforme o grau de amizade/inimizade que me dedica cada web-leitor.

http://www.ruipimentel.com/
Do Puro Veneno ao Açúcar Refinado

Como se recordarão, Buraco da Fechadura anotou indignadamente a suspensão do "Puro Veneno" de Rui Pimentel na revista "Visão".
Como consequência da necessidade de estar vivo e actuante na sociedade, como ele próprio diz, criou agora um blog (que nos faz pensar quão pequenino é o nosso monitor...).
Primeiro, leiam as suas palavras que vão aqui de seguida e depois vão lá ver os seus magníficos trabalhos.
«O meu blog 20anos depois de entrar como caricaturista para a empresa que editava "o jornal" e a seguir "A Visão", fui dispensado. Motivos expressos: "Remodelação gráfica". Motivos contados por portas travessas: Uma história de um administrador que embirrava com o meu trabalho, que já tinha tentado pôr-me fora sem sucesso, que voltou à carga por ocasião da "remodelação gráfica" e que, depois de alguma resistência interna, conseguiu os seus intentos, depois de esclarecer quem pagava os salários. Quem achar que não foi assim, pode sempre contar a verdade, já que esta nunca foi posta em cima da mesa.Este Blog surge como consequência da necessidade de estar vivo e actuante na sociedade portuguesa através do cartoon, da caricatura, da BD, e outros meios que gosto de utilizar para transmitir as minhas ideias. Talvez com o tempo possa ser mais do que isso, uma espécie de diário das minhas actividades, um diálogo com o público».
Rui galardoado na Amadora
Rui Pimentel foi o caricaturista português distinguido este ano no Festival de Banda Desenhada da Amadora, em cerimónia que decorreu no passado fim-de-semana e contou com a inauguração de uma exposição de trabalhos seus, que retratam figuras da música portuguesa.
...e Lloyy também
A distinção para caricaturista estrangeiro recaiu este ano sobre Lloyy, um jovem artista cubano que vive em Alcalá de Henares há cerca de 10 anos.
O coordenador de Buraco da Fechadura teve o prazer de o abraçar em Alcalá, antes da sua partida para a Amadora.

segunda-feira, outubro 15, 2007

domingo, outubro 14, 2007

Dois Encontros de Caricaturistas
Zé Oliveira é o único português
presente em Alcalá e Granada
Como tem acontecido quase todos os anos, Zé Oliveira (coordenador do Buraco da Fechadura) participa com um desenho e estará presente pessoalmente durante todo o Encontro. Aliás, a sua participação tem desta vez uma particularidade inédita: será o único português a participar pessoalmente.


Abaixo, o desenho com que Zé Oliveira participou em Alcalá de Henares e cujo tema era "Traços pela Igualdade", numa perspectiva de equilíbrio entre homem e mulher.





O programa de Alcalá

Com início dia 16 às sete da tarde, o Encontro começa com a Inauguração da exposição "Traços pela Igualdade".


No dia seguinte, decorre fulcro do Encontro, em torno de Eduardo Ferro, o galardoado com o Premio Quevedos deste ano. E debater-se-á o tema "Humor e Exílio".


Arturo Yépez, cartoonista e investigador de Porto Rico, profere a conferência "As publicações satíricas: passado, presente e futuro".


Dia 18, entrega do Prémio Quevedos a Eduardo Ferro e inauguração da sua exposição "70 anos de puro humor".


Dia 19, Inauguração de Jovens Criadores de Alcalá e concerto.


Dias 20 e 21 - Festa da Caricatura, com animação musico-teatral e actividades de crianças. E desenho de mural gigante.


De Alcalá para Granada

Dias 26, 27 e 28, decorre o Primeiro Encontro de Caricaturistas em Granada no qual Zé Oliveira é 'Convidado Especial' (sendo previsto que, em anos futuros, haja sempre um caricaturista estrangeiro com esse estatuto).


Zé Oliveira participa com este cartoon, que representa o dominicano Frei Luís de Gradada, assim chamado por ser natural daquela cidade (1505), filho de um migrante galego de Sárria (Lugo).


Quem foi Luís de Granada

Luís teve de se exilar em Portugal, por ter sido em Espanha um crítico contundente das práticas da Inquisição. Viveu em vários sítios de Portugal, designadamente na Batalha, Pedrógão Grande e Lisboa, onde morreu em Lisboa a 31 de Dezembro de 1588, com 83 anos de idade, tendo vivido 47 em Portugal, onde foi professor e confessor do rei D. João III, da rainha D. Catarina e do cardeal infante D. Henrique.

A frase do cartoon

A frase que consta do cartoon foi realmente pronunciada pelo frade, quando Filipe I de Portugal (Filipe II de Espanha lhe solicitou que divulgasse, no nosso país, as "simpatias" da ocupação filipina. Mas o frade recusou esse apoio, retorquindo com aquela frase. A afirmação é reforçada pelas duas bandeiras, num aproveitamento da coincidência de a bandeira nacional de Portugal e a do município de Granada diferirem essencialmente no facto de terem as mesmas duas cores em posição inversa.

sábado, outubro 13, 2007

Semanário "Região de Leiria"
O cartoon de Zé Oliveira Obviamente, o autor tem o maior respeito pelos atletas de alto rendimento. Mas este jogo de palavras apresentou-se irresistível, numa altura em que verificamos que actividades como a da banca pagam impostos irrisórios (que eles talvez achem demasiados...).
Semanário "Região de Leiria"
O cartoon de Zé Oliveira
Só consegue ler, se clicar sobre a imagem
Simples cruzamento de dois dados, um dos quais é a tradicional "prossição dos caracóis" que decorreu há dias no Reguengo do Fètal, alumiada com milhares de mini-candeias de azeite vertido numa concha de caracol.


Semanário "Região de Leiria"
O cartoon de Zé Oliveira

Por vezes, os caprichs do acaso facilitam-nos a vida fornecendo de bandeja a ideia do cartoon.
Ressalve-se que quando isto acontece, o cartoonista deixa-se embalar pela facilidade da ideia e... não vai além do trocadilho fácil, com prejuízo do impacto crítico.
Mas que esta coincidência de notícias (a que o cartoon alude) foi curiosa, lá isso foi!...






Amanhã à noite, na RTP 2
Caricatura e liberdade de expressão

Os caricaturistas Augusto Cid e André Carrilho participam na edição de amanhã (Domingo) do programa "Câmara Clara", da RTP-2, para debater as razões e consequências das repetidas acusações de constrangimentos à liberdade de expressão.
Cid e Carrilho, respectivamente um decano e um jovem, debaterão sobre se há ou não limites para a sátira, sobre os seus mestres no universo da provocação e sobre os seus ódios de estimação.

O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora é outro dos temas do programa.

À esquerda: Cid (autocaricatura). À direita: Carrilho (por Zé Oliveira)


sexta-feira, outubro 05, 2007

O artigo que segue foi escrito para o número de 40º aniversário do semanário Trevim (da Lousã). Não obstante extenso, arrisca-se a sua publicação.

Precisamos de futuro
Texto: José Oliveira

Em quatro décadas muda muita coisa, no mundo da comunicação.
Na altura em que nasce o Trevim, a Televisão portuguesa é uma criança de dez anos, um só canal a preto e branco que encerra a emissão antes da meia-noite e tem só três anos de experiência de utilização de imagens gravadas em vídeo.
O conceito de novela diária é exclusivo da rádio e falta ainda uma década para que a “Gabriela” chegue aos ecrãs domésticos, adaptada pela Globo para TV a partir de um romance de Jorge Amado.
O Telejornal é tão cinzento nas palavras como na imagem e culmina com gravações de jovens que, vestindo camuflado e abraçando a G3, cumprimentam os pais e namoradas a partir dos cenários da guerra colonial terminando quase invariavelmente com esta frase: “Adeus, até ao meu regresso”. Mas chega a acontecer que, por atraso ou descoordenação, a gravação é transmitida depois do seu funeral.
O Marcelo que dentro em pouco passará a comentar na TV as diatribes da “política” num programa chamado “Conversas em Família” chama-se Caetano, é primeiro-Ministro, descende da Serra da Lousã e é padrinho do actual Marcelo-comentador.
A canção nacional enaltece as virtualidades da pobreza, que faz rimar com pão e vinho sobre a mesa. Em contraponto, praticamente sem acesso à rádio ou à televisão cant
am Zeca Afonso, Adriano, Luís Cília, Manuel Freire, José Mário Branco, Tordo, Paulo de Carvalho.
O Diário de Notícias e a Época escrevem o que o Estado determina, O Século divulga o que a censura permite, o Diário de Lisboa e o República vão comunicando com o leitor em linguagem quase cifrada. No Diário Popular, Francisco Pinto Balsemão (sob os auspícios de um tio, principal accionista) dá os seus primeiros passos num jornalismo de eficácia moderada, lado a lado com as belíssimas e também cifradas reportagens de Baptista Bastos.
Ainda não há revistas cor-de-rosa, e as de cores-outras pouco mais são do que ensaios de policromia em offset.
Telemóveis ou Internet ainda nem se adivinham, as mensagens são cartas que vão pela mão do carteiro, começando por desejar ao outro “que goze de boa saúde, que nós ficamos bem, felizmente” e terminando subscritas “com elevada consideração e estima”, preceitos de aparente felicidade e obrigatória disciplina que o regime fomenta.
Ir a Lisboa é uma aventura que pode custar a vida a um frango da capoeira, condenado a farnel.

Alguns sucumbiram

Jornal local é quase sempre uma folha paroquial, que informa pouco mais do que os horários da catequese e a lista de donativos para as obras da igreja; as “Conversas à Fogueira” ou “à sombra do Castanheiro” não são crónicas do jornal da paróquia, são do Amigo do Povo, que contudo se vende na sacristia e é editado pela diocese, com cabeçalho impresso a partir de gravura talhada em madeira pelo monsenhor Nunes Pereira, serrano de Fajão, gravura que faz lembrar as letras que titulam O Primeiro de Janeiro.
Quando o Trevim nasce, claramente em corajosa contracorrente, não tem mais do que dois ou três jornais de âmbito regional ou local que honradamente possa encarar como irmãos de luta. O Jornal do Fundão é o mais velho, contando então 21 anos e tendo sofrido uma suspensão de seis meses em 1965. O Notícias da Amadora tem mais nove anos do que o semanário lousanense e o Comércio do Funchal surge nove meses antes do que o Trevim, com Vicente Jorge Silva a capitanear a equipa. Devido à corajosa força crítica dos seus conteúdos, o Comércio do Funchal chega a atingir 14 e 15 mil exemplares de tiragem, dos quais só um milhar fica na ilha. Os restantes são assinados por portugueses do continente e do resto do mundo. Porque os tempos exigem militância e solidariedade.
Presentemente, o Jornal do Fundão é detido maioritariamente por um dos mais fortes grupos de média portugueses, enfileirando com o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24 horas, TSF, etc. O Comércio do Funchal encerrou há bastantes anos e o Notícias da Amadora deixou de imprimir-se em Dezembro de 2006.

Tempo de competição

Em quatro décadas mudou muita coisa, no mundo da comunicação.
As notícias avassalam-nos agora mediante uma infinidade de canais de TV, rádio, Internet, telemóvel, jornais gratuitos. O próprio Público que Vicente Jorge Silva veio fundar, é oferecido gratuitamente desde há cerca de um mês nos hipermercados do grupo a que pertence.
Não raro, a notícia do fundo da nossa rua demora mais a chegar ao semanário local do que à redacção do telejornal (e dali ao nosso televisor, pode ser uma questão de minutos). Porque hoje, nestes tempos de concorrência desenfreada (e cega…) nada se faz eficazmente sem um elevado profissionalismo. Editar um jornal, mesmo local, como é o caso do Trevim, implica assumir a consciência da necessidade de competir. É preciso que o jornalista, licenciado ou não, saiba escrever de modo conciso e claro, seja culto e tenha imaginação. Deve estar o mais possível identificado com o meio em que se insere, saber cultivar as fontes e ter liberdade para isso, saber organizar graficamente as matérias repartindo-as em caixas de modo a tornar o aspecto esteticamente apetecível ao mesmo tempo que possibilita que o leitor leia toda a matéria ou só parte dela, consoante o seu interesse ou tempo disponível. E o jornalista deve ser estimulado para tudo isto, tendo em conta que o profissional da imprensa local necessita de ser mais abnegado e eclético do que os colegas da imprensa de âmbito nacional.
Ao jornalista da imprensa local, não basta ser eficaz a escrever. Ele tem de ser fotógrafo, secretária da Redacção, gráfico. Tem de possuir a percepção de que não pode “despejar” uma página inteira de texto, com ilustração insignificante ou inexistente, sob pena de perder para essa página todos os leitores ou quase.
Nos corredores do jornalismo contemporâneo, diz-se que nas redacções se vive, hoje em dia, sob a “ditadura dos gráficos”. E é um tanto verdade, queiramos ou não. Se a forma não é convidativa, o conteúdo não terá leitores. Não basta publicar, é preciso fazer ler. Isto não quer dizer que se deva condescender, significa que se deve usar de estratégia.

Autosuficiência e profissionalismo

O tempo da subsidiodependência passou e já não volta. Agora, cada jornal tem de conquistar mais leitores, mais publicidade, administrar melhor as despesas. Deixou de ser sustentável que uma equipa profissional (redacção e restantes serviços) seja administrada amadoristicamente, do mesmo modo que não faz sentido interpor a actividade de conselhos editoriais ou similares igualmente amadores a condicionarem o trabalho de profissionais.
O espaço de um jornal local é precioso, designadamente porque não lhe sobram as páginas. Por isso, deve resistir à proliferação de colaborações que nada tenham de local, ainda mais quando essas colaborações são publicadas em simultâneo em vários jornais da região.
Um jornal, até por definição, é um veículo de tratamento da actualidade. Deve, portanto, ser parcimonioso na inclusão de colaborações que tenham a característica de memórias históricas. Mais ganhará se fizer passar essas informações quando o contexto de peças principais o justificar.

Convivência democrática

Um periódico local deve ser uma voz crítica, identificado com o leitor, independente e plural, mas nunca o jornal ou a sua administração deverão tentar actuar como forças de bloqueio, porque isso é exactamente o contrário da sua função. Em democracia, quem ganha umas eleições adquire o direito ao respeito de todos. E também adquire a obrigação de sujeição à crítica, que tem de ser séria e consequente. Em contracorrente, mas não gratuitamente bloqueadora, demolidora por princípio. O homem moderno obriga-se a isto: criticar quando for caso disso, mas conviver civilizadamente com o criticado. E os jornais (todos eles, incluindo os locais) têm de fomentar esta modernidade; porque nós precisamos de futuro.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Zé Oliveira entrevistado hoje
no "Ideal" de Granada





A edição de papel do "Ideal", de Granada, publica hoje uma entrevista com o coordenador do Buraco da Fechadura.
A entrevista é justificada pelo facto de o coordenador do Buraco ser convidado do I Encontro de Caricaturistas em Granada, que decorre nos próximos dias 26, 27 e 28 de Outubro.

Esta foto foi tirada pelo próprio fotografado, com a máquina na ponta do braço estendido. Foi uma solução de recurso, para poder responder rapidamente ao solicitado pela Redacção do "Ideal" (porque a gente nunca tem ao canto da gaveta a foto que nos pedem...).
Segue a entrevista:
VIVIR
«Observo desde una perspectiva de ciudadano común, pero con mirada crítica»
03.10.07 -
MIGUEL Á. ALEJO

Zé Oliveira es uno de los humoristas gráficos más importantes e influyentes de la Península Ibérica. Así lo corroboran la infinidad de colaboraciones y la cantidad de premios obtenidos a lo largo de su carrera. Si su obra se define por la sencillez de sus personajes, en sus textos habla de la filosofía más universal. Oliveira es uno de los invitados principales al I Encuentro de Humoristas Gráficos, que patrocina IDEAL y que se celebrará a finales de octubre en Granada.

-¿Cómo un topógrafo acaba haciendo humor?

-Topografía es grafía y tiene esa connotación con el humor gráfico y la caricatura de prensa. Empecé publicando humor gráfico y sólo después (completados tres años se servicio militar, dos de ellos en la guerra colonial de Angola) inicié mi actividad como topógrafo por tres razones. La primera, en los años 70 no era posible sobrevivir como dibujante de humor ni como periodista; la segunda, mi facilidad para dibujar, característica esencial para un topógrafo; y la tercera, la topografía me posibilitaba los viajes permanentes al interior de mi país, en íntimo contacto con todo tipo de clases sociales y eso alimentaba mi alma de reportero.

-Se dio a conocer a través de 'El Broncas'. Defina ese personaje.

-'Broncas' ha sido un personaje masculino, dibujado durante 20 años, que deriva del contacto que la topografía me proporcionó con la vida rural. Es un hombre gordito, consecuencia del excesivo consumo de hidratos de carbono, que bebe vino pero no mucho, sólo lo suficiente para estimular sus ideas. Es rural pero atento a lo que ocurre. Un viejo chambergo (sombrero de ala ancha) le tapa permanente sus ojos, por lo que sólo mira lo que le interesa. Y viste unas ropas remendadas, porque no es rico, pero si feliz.

-¿Conoce Portugal el humor español?

-En general no se conoce nada del humor español y, entre los humoristas, son pocos los que tienen un conocimiento razonable de lo que se hace. Los más informados son los que han participado en el Encuentro Iberoamericano de Caricaturistas de Alcalá de Henares. Yo soy el que más ha asistido a Alcalá y eso me da un razonable conocimiento del humor español y de sus humoristas. Como curiosidad, hace 40 años un comediante portugués llamado Raúl Solnado tenía un fabuloso programa en la tele, radio, espectáculo y discos con unos diálogos escritos por Miguel Gila. Casi todos los portugueses desconocían que el autor era español y pensaban que era portugués.

Colaboración granadina.

-¿Mencione autores andaluces?
-Así rápido se me ocurre el nombre de José Orcajo y todo el equipo que dibuja en 'El batracio amarillo', donde publiqué algunos dibujos. No menciono más nombres del 'Batracio' por si se me olvida alguno, aunque abro una excepción para mencionar a Martin Favélis, por ser el alma mater de la iniciativa que me invita a Granada.

-¿Ha estado en Granada?

-No. Pero hace cerca de un mes, por una simple coincidencia durante sus vacaciones, mi hijo mayor se quedó algunos días allí. Me ha mostrado muchas fotos, dice que la ciudad es una de las más ricas de Andalucía y me comentó que se encontró con muchos portugueses con camisetas verdes y rojas (colores de la bandera portuguesa) pero después verificó que esos 'portugueses' hablaban castellano (tal vez andaluz). Yo, que ya he realizado algunas lecturas sobre Granada, adelanté que se trataba de la bandera granadina, que tiene sólo la diferencia de ostentar los colores en posición inversa. Del resto, conozco desde hace muchos años la prestigiosa figura de Fray Luís de Granada, un granadino de gran coraje que se exilió en Portugal por criticar a la Inquisición, lo que consta en el dibujo con el que participaré en el encuentro.
[N.R.: O desenho ao lado foi criado, a pedido, expressamente para ilustrar esta entrevista. É uma caricatura do granadino Federico Garcia Lorca.]

-En diferentes ocasiones ha dibujado a Saramago. ¿Que le une a él?

-Saramago está ligado a Granada por estar casado con Pilar del Río, una chica natural de Castril. Hace pocos meses han repetido su boda en Castril. La primera esposa de Saramago era natural de un pequeñísimo pueblo serrano y muy aislado del centro de Portugal, donde mi mujer fue profesora al inicio de su carrera. Lo que me liga a Saramago es que los dos formamos parte del gran equipo de fundadores (cerca de 40) que nos hemos asociado para crear una librería en Ourém (Fátima).

Observador

-¿Dónde coloca los trofeos y medallas que le otorgan por todo el mundo?

-Un poco por ahí, mezclados con mis libros y tan desarreglados como ellos. No doy mucha importancia a esas cosas. Lo que es importante de verdad son las amistades conquistadas. Es lo que importa coleccionar (y mantener limpio) más que todo.

-¿Cómo se pone al día para realizar sus chistes?

-Necesito prestar atención a los periódicos, noticiarios de radio y televisión y, sobre todo, a todo lo que me rodea. Observo desde una perspectiva de ciudadano común, pero con mirada crítica. Un importante humorista gráfico de mediados del siglo XX, llamado Leal da Câmara, afirmaba que «caricatura es quedarnos en la calle mirando quien pasa».

-Últimamente introduce elementos fotográficos y diversos retoques informáticos en sus chistes. ¿Cómo ve la inclusión del ordenador en el mundo del humorista? ¿Es una herramienta o una dependencia?

-Cuando no se dispone de tiempo proporciona economía de minutos en cada chiste. Además, es un instrumento inevitable en casi todas las actividades de hoy en día. Para los humoristas es una herramienta más, como los lápices, pinceles, plumas y rotuladores. Facilita no solo la ejecución de los dibujos, sino la consulta de enorme información gráfica. Si necesito dibujar la bandera de Barbados y no sé como es, recurro rápidamente a Internet. Pero el ordenador también me sirve para hacer mi 'revista de prensa' diaria y -no menos importante- es el que transporta los dibujos a las redacciones a cualquier hora del día o de la noche.

terça-feira, setembro 25, 2007

"...um dos responsáveis pela morte do Pedro?"
De Alberto Ferreira, caricaturista de Aveiro, chega-nos uma reacção ao comentário de um(a) anónimo(a) que se publicou aqui em 23 de Setembro e remete a responsabilidade do falecimento de Pedro Alpiarça exclusivamente para ele próprio.
Segue o texto:
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«Mal vai a "pessoa(?)" que se esconde no anonimato ao fazer comentários. O dito "anónimo" não terá a consciência pesada? Não será um dos responsáveis pela morte do Pedro e procura "expurgar-se" da falta de solidariedade? É fácil condenar quem cá não está. Aguardarei o obituário do anónimo».
"Um grande actor era o Pedro!"
Mais um depoimento acerca de Pedro Alpiarça, assinado por um anónimo (adivinhado...)

Anónimo disse...
Conheci pessoalmente o Pedro em Abril deste ano. Deslocou-se a Moura para representar o Bartoon (com mais 3 colegas) e, antes do espectáculo, bebemos umas cervejas e falámos um pouco de tudo (futebol, humor, cinema...). Fica-me na memória a sua entrada em palco, a representar, de uma maneira soberba, a figura de um velho com um andar arrastado, pesado e lento. O público delirou (tal como eu) com toda a peça mas aquela entrada do Pedro foi... sublime! Grande actor era o Pedro!...
10:46 AM

segunda-feira, setembro 24, 2007


De Banegas Honduras

De novo Pedro Alpiarça
Amplia-se para aqui mais este comentário acerca da partida de Pedro Alpiarça. Desta vez, é uma colega dele da Guilherme Cossoul (da Guilhas...), que se pronuncia.
Esta insistências no tema não significa falta de respeito pelo malogrado actor, antes pelo contrário.
(Que raio de país é este, em que temos de andar todos a dizer apenas metade das verdades?...)
Tal como ontem, transcrevemos o comentário tal qual nos chegou.

Tontita disse...
Os verdadeiros artistas, quando sublinhamos verdadeiros, queremos dizer com talento, são muito mal tratados neste país. Realmente foi uma decisão do Pedro, nós temos que respeitar. Apesar de respeitar, mas não aceitar a sua decisão,percebo o acumulo das coisas, tivemos longas conversas durante muitas tardes lá na Guilhas onde uma das suas maiores decepções era justamente o facto de os verdadeiros actores estarem a desaparecer da televisão e do cinema, invadidos por modelos e cunhas do primo-do-filho-do-sobrinho-de-não-sei- quem-que-sabia-do-casting...Já estamos fartos desta história! Actores como o Pedro desempregados a tanto tempo! Este é o país que temos! Nada que se diga vai trazer o Pedro de volta. Sim, a decisão foi dele e não foi por causa da consulta!
6:58 PM

domingo, setembro 23, 2007

Ainda Pedro Alpiarça
Ao post acerca da morte de Pedro Alpiarça, que pode ser lido um pouco mais abaixo, chegou este comentário:


Anónimo disse...
Ninguém lhe recusou auxílio. Só que como não tinha consulta marcada, e médica não estava disponível naquele exacto momento em que ele "exigia" ser atendido. As atitudes ficam para quem as toma. Não culpem os outros de uma decisão que só ele tomou!
8:41 PM


Mesmo sendo anónimo (portanto a justificar a nossa desconfiança...), este comentário vai ter a nossa resposta. Assim:
As circunstâncias da ocorrência em que Pedro Alpiarça perdeu a vida foram relatadas unanimemente pela imprensa em geral. E quem escreveu as notícias assinou-as ou é indubitavelmente identificado no corpo de cada redacção, para além de que tem formação específica para escrever a verdade, porque é esse o seu metier. Merece (merecem), portanto, mais crédito do que um qualquer anónimo que vem aqui aparentemente deslastrar responsabilidades.

"Ninguém lhe recusou auxílio", diz o (a) anónimo(a). "Só que, como não tinha consulta marcada (...)"...

"Não culpem os outros de uma decisão que só ele tomou", diz o (a) anónimo(a).

Mas que raio de formação profissional terá este(a) anónimo(a), para não conseguir compreender que um paciente que procura ajuda psiquiátrica poderá não estar em condições de tomar as decisões mais adequadas ao seu interesse?!...

Prezado(a) anónimo(a), devolvo-lhe esta sua frase: "As atitudes ficam para quem as toma".

sábado, setembro 22, 2007

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Do Público de hoje:
"O Cartoonista que
não quer ser publicado"

Só um editor com uma paciência de chinês conseguiria arranjar pachorra para publicar em Portugal "O cartoonista que não quer ser publicado". Mas Guilherme Valente, homem-forte da Gradiva, não é chinês mas tem uma paciência caldeada com alguns anos de trabalho em Macau. E também tem uma confessada admiração para com esta coisa de comunicar pela via do cartoon. Que o diga o catálogo da sua editora (e o mais que aqui não conto).

Segundo relata Carlos Pessoa no Público de hoje, em peça de página inteira, Guilherme Valente andou à procura de um cartoonista reformado (que agora se dedica a outra sua paixão, o Jazz) para tentar convencê-lo a autorizar a publicação da sua obra em Portugal. Mas o cartoonista, que raramente dá entrevistas e detesta ser fotografado, mandava os seus agentes recusarem a proposta.
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Mas Valente que é valente não desiste à primeira recusa (nem à segunda, nem...)

Nem desiste perante as exigências extravagantes de um cartoonista que, vencidas as renitências iniciais, lhe exige a produção e impressão de um exemplar único para sua apreciação pessoal. Mas atenção! Impressão em papel especial, de tipo que nem existe no nosso país. Arre porra!
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Ferreira dos Santos, autor desta caricatura, chama-lhe "o maior cartoonista do mundo"

Exigiu ficar com os direitos de publicação, mas isso a gente aceita, negócio é negócio, mas não confiou no controlo de produção da Gradiva ("simplesmente" uma das mais idóneas editoras portuguesas) e fez questão de ser ele próprio a controlar todo o processo de produção (incluindo a tradução).

Aliás, já em 2002 este cartoonista escrevera uma "carta aberta" aos seus admiradores apelando para que não reproduzissem os seus cartoons na internet.

Como se chama ele? Não importa. Cartoonista "que não quer ser publicado", certamente não apreciará que se divulgue o seu nome. Publicamos a sua foto, porque se ele sorri para a câmara, é porque aceita que se registe a sua "fronha".
De Carlos Sêco Portugal
De Tomy Cuba
Os Corvos (Região de Leiria)
De Zé Oliveira Portugal

Já sabe: para poupar esses dois (antes que a terra lhos coma), clique na imagem

Foi personagem do Bartoon
Até já,
Pedro Alpiarça!

O humor português ficou mais triste, a partir da passada Quinta-feira. Porque morreu o actor Pedro Alpiarça, um dos «Batanetes» da TVI.

Eram cerca de 13h00, quando o actor se deslocou ao Hospital de Santa Marta, em Lisboa, para procurar ajuda médica nos serviços de psiquiatria, aparentemente originada pela depressão que o apoquentava deste que se submetera a tratamentos de cortisona destinados a estabilizar um problema de plaquetas sanguíneas.

Segundo notícias da imprensa de ontem, os serviços do hospital ter-lhe-ão recusado auxílio, porque Pedro Alpiarça não terá procedido a marcação prévia de consulta.

Escusamo-nos a desenvolver grandes comentários, porque em certas circunstâncias é preferível lançarmos uma certeira e bem musculada pedrada de silêncio. Mas sublinhamos a nota do porta-voz do hospital, que confirmou que Pedro Alpiarça «caiu de uma janela» do quinto andar.

Com colaboração dispersa pela RTP, SIC e TVI, e também pelo cinema, Pedro Alpiarça participou em diversos projectos de palco, designadamente com A Barraca e a companhia de Teatro O Nariz, de Leiria, cidade aonde se acolhia com alguma frequência durante as pausas do trabalho. A foto que ilustra este texto, retrata-o num momento em que contracenava com Pedro Oliveira, director de O Nariz. Aliás, estava em preparação em Leiria uma reposição que o voltaria a ter no desempenho de um papel.

Pedro Alpiarça foi um dos intérpretes fulcrais da experiência teatral que levou à cena, em adaptação, o Bartoon que Luís Afonso desenha diariamente para O Público.

"Um tipo do melhor"

A Buraco da Fechadura chegou um resumido comentário expresso por um conhecido cartoonista português (que não identificamos, porque não lhe solicitámos autorização para isso), onde se pode ler: "(...)Era um tipo do melhor, sensível e um extraordinário actor que não teve o sucesso merecido, num país onde os actores não têm trabalho para darem lugar aos modelos que não sabem representar (...).