terça-feira, setembro 25, 2007
De Alberto Ferreira, caricaturista de Aveiro, chega-nos uma reacção ao comentário de um(a) anónimo(a) que se publicou aqui em 23 de Setembro e remete a responsabilidade do falecimento de Pedro Alpiarça exclusivamente para ele próprio.
Segue o texto:
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«Mal vai a "pessoa(?)" que se esconde no anonimato ao fazer comentários. O dito "anónimo" não terá a consciência pesada? Não será um dos responsáveis pela morte do Pedro e procura "expurgar-se" da falta de solidariedade? É fácil condenar quem cá não está. Aguardarei o obituário do anónimo».
Mais um depoimento acerca de Pedro Alpiarça, assinado por um anónimo (adivinhado...)
Anónimo disse...
Conheci pessoalmente o Pedro em Abril deste ano. Deslocou-se a Moura para representar o Bartoon (com mais 3 colegas) e, antes do espectáculo, bebemos umas cervejas e falámos um pouco de tudo (futebol, humor, cinema...). Fica-me na memória a sua entrada em palco, a representar, de uma maneira soberba, a figura de um velho com um andar arrastado, pesado e lento. O público delirou (tal como eu) com toda a peça mas aquela entrada do Pedro foi... sublime! Grande actor era o Pedro!...
10:46 AM
segunda-feira, setembro 24, 2007
Amplia-se para aqui mais este comentário acerca da partida de Pedro Alpiarça. Desta vez, é uma colega dele da Guilherme Cossoul (da Guilhas...), que se pronuncia.
Esta insistências no tema não significa falta de respeito pelo malogrado actor, antes pelo contrário.
(Que raio de país é este, em que temos de andar todos a dizer apenas metade das verdades?...)
Tal como ontem, transcrevemos o comentário tal qual nos chegou.
Tontita disse...
Os verdadeiros artistas, quando sublinhamos verdadeiros, queremos dizer com talento, são muito mal tratados neste país. Realmente foi uma decisão do Pedro, nós temos que respeitar. Apesar de respeitar, mas não aceitar a sua decisão,percebo o acumulo das coisas, tivemos longas conversas durante muitas tardes lá na Guilhas onde uma das suas maiores decepções era justamente o facto de os verdadeiros actores estarem a desaparecer da televisão e do cinema, invadidos por modelos e cunhas do primo-do-filho-do-sobrinho-de-não-sei- quem-que-sabia-do-casting...Já estamos fartos desta história! Actores como o Pedro desempregados a tanto tempo! Este é o país que temos! Nada que se diga vai trazer o Pedro de volta. Sim, a decisão foi dele e não foi por causa da consulta!
6:58 PM
domingo, setembro 23, 2007
Ao post acerca da morte de Pedro Alpiarça, que pode ser lido um pouco mais abaixo, chegou este comentário:
Anónimo disse...
Ninguém lhe recusou auxílio. Só que como não tinha consulta marcada, e médica não estava disponível naquele exacto momento em que ele "exigia" ser atendido. As atitudes ficam para quem as toma. Não culpem os outros de uma decisão que só ele tomou!
8:41 PM
Mesmo sendo anónimo (portanto a justificar a nossa desconfiança...), este comentário vai ter a nossa resposta. Assim:
As circunstâncias da ocorrência em que Pedro Alpiarça perdeu a vida foram relatadas unanimemente pela imprensa em geral. E quem escreveu as notícias assinou-as ou é indubitavelmente identificado no corpo de cada redacção, para além de que tem formação específica para escrever a verdade, porque é esse o seu metier. Merece (merecem), portanto, mais crédito do que um qualquer anónimo que vem aqui aparentemente deslastrar responsabilidades.
"Ninguém lhe recusou auxílio", diz o (a) anónimo(a). "Só que, como não tinha consulta marcada (...)"...
"Não culpem os outros de uma decisão que só ele tomou", diz o (a) anónimo(a).
Mas que raio de formação profissional terá este(a) anónimo(a), para não conseguir compreender que um paciente que procura ajuda psiquiátrica poderá não estar em condições de tomar as decisões mais adequadas ao seu interesse?!...
Prezado(a) anónimo(a), devolvo-lhe esta sua frase: "As atitudes ficam para quem as toma".
sábado, setembro 22, 2007
Do Público de hoje:
"O Cartoonista que
não quer ser publicado"
Só um editor com uma paciência de chinês conseguiria arranjar pachorra para publicar em Portugal "O cartoonista que não quer ser publicado". Mas Guilherme Valente, homem-forte da Gradiva, não é chinês mas tem uma paciência caldeada com alguns anos de trabalho em Macau. E também tem uma confessada admiração para com esta coisa de comunicar pela via do cartoon. Que o diga o catálogo da sua editora (e o mais que aqui não conto).
Segundo relata Carlos Pessoa no Público de hoje, em peça de página inteira, Guilherme Valente andou à procura de um cartoonista reformado (que agora se dedica a outra sua paixão, o Jazz) para tentar convencê-lo a autorizar a publicação da sua obra em Portugal. Mas o cartoonista, que raramente dá entrevistas e detesta ser fotografado, mandava os seus agentes recusarem a proposta.
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Mas Valente que é valente não desiste à primeira recusa (nem à segunda, nem...)
Nem desiste perante as exigências extravagantes de um cartoonista que, vencidas as renitências iniciais, lhe exige a produção e impressão de um exemplar único para sua apreciação pessoal. Mas atenção! Impressão em papel especial, de tipo que nem existe no nosso país. Arre porra!
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Ferreira dos Santos, autor desta caricatura, chama-lhe "o maior cartoonista do mundo"Exigiu ficar com os direitos de publicação, mas isso a gente aceita, negócio é negócio, mas não confiou no controlo de produção da Gradiva ("simplesmente" uma das mais idóneas editoras portuguesas) e fez questão de ser ele próprio a controlar todo o processo de produção (incluindo a tradução).
Aliás, já em 2002 este cartoonista escrevera uma "carta aberta" aos seus admiradores apelando para que não reproduzissem os seus cartoons na internet.
Como se chama ele? Não importa. Cartoonista "que não quer ser publicado", certamente não apreciará que se divulgue o seu nome. Publicamos a sua foto, porque se ele sorri para a câmara, é porque aceita que se registe a sua "fronha".
De Zé Oliveira Portugal


Foi personagem do Bartoon
Até já,
Pedro Alpiarça!
O humor português ficou mais triste, a partir da passada Quinta-feira. Porque morreu o actor Pedro Alpiarça, um dos «Batanetes» da TVI.
Eram cerca de 13h00, quando o actor se deslocou ao Hospital de Santa Marta, em Lisboa, para procurar ajuda médica nos serviços de psiquiatria, aparentemente originada pela depressão que o apoquentava deste que se submetera a tratamentos de cortisona destinados a estabilizar um problema de plaquetas sanguíneas.
Segundo notícias da imprensa de ontem, os serviços do hospital ter-lhe-ão recusado auxílio, porque Pedro Alpiarça não terá procedido a marcação prévia de consulta.
Escusamo-nos a desenvolver grandes comentários, porque em certas circunstâncias é preferível lançarmos uma certeira e bem musculada pedrada de silêncio. Mas sublinhamos a nota do porta-voz do hospital, que confirmou que Pedro Alpiarça «caiu de uma janela» do quinto andar.
Com colaboração dispersa pela RTP, SIC e TVI, e também pelo cinema, Pedro Alpiarça participou em diversos projectos de palco, designadamente com A Barraca e a companhia de Teatro O Nariz, de Leiria, cidade aonde se acolhia com alguma frequência durante as pausas do trabalho. A foto que ilustra este texto, retrata-o num momento em que contracenava com Pedro Oliveira, director de O Nariz. Aliás, estava em preparação em Leiria uma reposição que o voltaria a ter no desempenho de um papel.
Pedro Alpiarça foi um dos intérpretes fulcrais da experiência teatral que levou à cena, em adaptação, o Bartoon que Luís Afonso desenha diariamente para O Público.
"Um tipo do melhor"
A Buraco da Fechadura chegou um resumido comentário expresso por um conhecido cartoonista português (que não identificamos, porque não lhe solicitámos autorização para isso), onde se pode ler: "(...)Era um tipo do melhor, sensível e um extraordinário actor que não teve o sucesso merecido, num país onde os actores não têm trabalho para darem lugar aos modelos que não sabem representar (...).
sábado, setembro 15, 2007
O Amigo da Onça
O desenho da esquerda é o primeiro cartoon de O Amigo da Onça (1943). O protagonista chama a atenção do cobrador do autocarro para o facto de o outro passageiro apenas ter colocado uma moeda.É imperdível, a galeria de O Amigo da Onça que se pode apreciar visitando um endereço recebido de mão amiga, onde se reune uma quantidade significativa de cartoons que fizeram história na revista brasileira O Cruzeiro. Daremos esse endereço mais abaixo.
Mas quem foi O Amigo da Onça? Passamos a palavra ao nosso amigo (e companheiro de risco) Lailson de Holanda Cavalcanti, traduzindo do seu livro "História del Humor Gráfico en el Brasil" (Editorial Milénio - Lleida, Espanha):
Como surgiu o nome
«A mais importante personagem da história do humor gráfico brasileiro do século XX é, sem dúvida, O Amigo da Onça, criado por Péricles de Andrade Maranhão, desenhador pernambucano nascido na cidade do Recife em 1924. A expressão "amigo da onça" provém de uma anedota popular na qual dois amigos se encontram e começam a falar de caça. O primeiro pergunta:Como surgiu o cartoon
Leão Gondim de Oliveira era director da revista O Cruzeiro no final dos anos quarenta e teve a ideia de criar uma personagem similar ao argentino Enemigo del Hombre, titulada O Amigo da Onça.
Leão promoveu um concurso interno entre os desenhadores da revista que dirigia e os de outras publicações como A Cigarra.
O vencedor do concurso foi um jovem desenhador que já tinha publicado historietas da personagem Oliveira o Trapalhão na Cigarra.
Com a nova personagem de grandes olhos, bigode e roupa de bon vivant, Péricles converteu-se subitamente no desenhador humorístico mais famoso do país, com apenas 19 anos de idade.
O Amigo da Onça representava um humor simples, quase naïf, mas o traço era de um perfeccionismo absoluto. A linha clara de Péricles e o colorido aplicado ao desenho, que semanalmente preenchia uma página, foram um êxito imediato.
O protagonista estava sempre a colocar alguém em situação difícil, mas saía sempre airosamente. A desgraça dos outros era a sua felicidade.O êxito do Amigo da Onça foi absoluto em todo o Brasil: máscaras de carnaval, bonequitos e reproduçõoes diversas apareciam em todas as casas e em todos os locais, embora Péricles nada recebesse por isso.
Na sua vida pessoal, o artista não era propriamente feliz. Alcançou o êxito muito cedo, quando era pouco mais do que um menino que abandonara o Recife para tentar a sua sorte no Rio de Janeiro, depois de vencer um concurso de desenhos para cartazes do departamento de trânsito da sua cidade. Como não tinha obtido nenhum curso superior, a sua educação era incompleta e isso, provavelmente, fá-lo-ia sentir-se inferior aos outros jornalistas de O Cruzeiro. Procurava sempre a companhia da gente do povo, não a dos intelectuais ou dos literatos.
Notas:
sexta-feira, setembro 14, 2007
Durante uma semana, Leiria perfilhou o lema "Melhores Ruas para Todos". E pergunto: melhores ruas?!... com os edifícios a caír, mesmo alguns (muitos) com interesse patrimonial?! Mas então... as ruas são só o pavimento onde apoiamos os pés?!... Rua não é também as casas onde apoiamos os olhos?!...
É preciso ter lata (e um gabinete na Câmara) para vir a público com estes slogans, numa cidade como Leiria cujo património está a caír, todos os dias mais um bocado!
Lata. É isso. Tenhamos, também, lata com tinta suficiente para subverter estes slogans pacóvios!
Notas à margem de um cartoon
Como ando a enfrentar a necessidade de ter de "aviar" o cartoon em pouco tempo, tenho recorrido sistematicamente às foto-montagens. Desta vez usei uma imagem de arquivo (foto de Joaquim Dâmaso).
Como as casas apareciam muito direitinhas, sem o impacto que eu necessitava, tratei de quase "fazê-las caír", tombando-as por artes e manhas do Photoshop. Mas avanço já que a utilização da fotografia foi feita com autorização do autor, depois de "advertido" de que eu a manipularia. Porque um pouquinho de preocupação ética nunca fez mal a ninguém. Até mesmo (ou principalmente) em questões de Humor.
Acresce dizer que desenhei o painel tombado em posição de contra-ponto com os edifícios, para chamar a atenção sobre eles. E essa atenção é reforçada, colocando os corvos olhando para telhados "que já foram". Repeti o mesmo corvo uma e outra vez (habitualmente desenho mesmo dois), para dar ênfase à ideia de que a situação de casas em desmoronamento se repete.
Finalmente, chamo a atenção para três elementos (dois gráfico e outro estruturante): em branco mesmo branco, só aparecem as letras da pixagem e a tinta da lata (para além de um pouco de brilho na personagem furtiva). Porque são os elementos que me interessou fortalecer. O g da pixagem foi pintado não só no painel mas também no barrote de suporte, para reforçar a ideia de que se trata realmente de uma pixagem. O conjunto foi estruturado de modo que a atenção do leitor funcione num círculo sub-entendido pelo painel, pelos corvos (e telhados) e lata da tinta.
Zé Oliveira

terça-feira, setembro 11, 2007
Olhe que as consultas de Oftalmologia demoram uma eternidade. O melhor é clicar na imagem para ampliar !Boligán na Costa Rica
Na passada Quinta, 6 de Setembro, inaugurou-se em S. José da Costa Rica uma exposição de caricatura editorial que juntou trabalhos do convidado mexicano-cubano Angel Boligán Corbo e dos membros da associação organizadora, La Pluma Sonriente (traduzindo: A Pluma Sorridente), presidida por Oscar Sierra (Oki).
A exposição inseriu-se na XVIII Semana de la Prensa e decorreu na sede do Colégio de Periodistas.
Homenagem para mestres do passado
Entretanto, segundo declarações de Oscar Sierra (Oki) a Buraco da Fechadura, inaugura-se a 24 de Setenbro no Teatro de la Danza, situado no Centro Nacional de Cultura, a segunda exposição em homenagem aos Mestres do Passado (da caricatura costarricense). Nessa noite, são homenageados postumamente (com a presença de familiares) os segiuintes artistas desaparecidos: Noé Solano, Paco Hernández, Roger López, Hugo Diaz (Lalo), Alcides Méndez, Jorge Chavárria, (Kokín) e Miguel Castro (MIguelón).

quinta-feira, setembro 06, 2007
www.gon.no.sapo.ptDe Milivoje Obrenovic Jugoslávia














