sábado, dezembro 30, 2006

De Banegas Honduras
De Banegas Honduras
Atenção, coleccionadores de BD e cartoon
Não conhecemos nada semelhante em Portugal, por isso nos parece redobradamente interessante esta iniciativa espanhola de alfarrabismo na internet.
Segue o link, recomendado pelo nosso amigo e excelente caricaturista madrileno José Luis Cabañas:
http://www.elrastrocomics.com/
Ninguém merece isto. Ninguém merece ser executado. Seja quem for, por que motivo for.
Muito menos em dia de festa.
Publico aqui esta foto (EuroNews) para que nos arrepiemos perante a baixeza humana de tamanha crueldade.
Z.O.

domingo, dezembro 24, 2006

As Boas Festas do Dâmaso Afonso Portugal
As Boas Festas de Xaquín Marín Espanha
As Boas Festas (!) de Ferreira dos Santos Portugal
As Boas Festas de Nani colombiana em Espanha
As Boas Festas de Bruno Taveira Portugal
As Boas Festas de Marlene Pohl argentina na Alemanha
As Boas Festas de Oki - Óscar Quintero Colombiano em Costa Rica
As Boas Festas de Carlos Amor Portugal
As Boas Festas de José Luís Cabañas Espanha
As Boas Festas de Ché Varona Espanha
As Boas Festas de Lambert Ortiz Espanha
As Boas Festas de Omar Perez argentino em Espanha
As Boas Festas de Artur Portugal
As Boas Festas de Leandro Barea Espanha
As Boas Festas de Vilma Vargas Valejo Equador
As Boas Festas de Joaquín Aldeguer Espanha
As Boas Festas de Paulo Fernandes Portugal
As Boas Festas de Nando Argentina
As Boas Festas de Alberto Ferreira Portugal
As Boas Festas de Rodrigo de Matos Portugal

quarta-feira, dezembro 20, 2006

As Boas Festas de Zé Oliveira Portugal
Falta de tempo
Buraco meio parado
O coordenador de Buraco da Fechadura pede a compreensão de todos os que estão a enviar colaboração.
Uma aflitiva falta de tempo não tem permitido inserir tudo o que é recebido. Grato a todos, o coordenador deseja-lhes Boas Festas.
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Pela segunda vez um argentino galardoado
Prémio Quevedos para Ferro
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O desenhador humorístico Eduardo Ferro, que assina Ferro, foi o vencedor da quinta edição do Prémio Iberoamericano de Humor Gráfico Quevedos, iniciativa dos ministérios espanhóis da Cultura, Assuntos Exteriores e Cooperação que tem produção da Fundação Geral da Universidade de Alcalá. Depois de Quino, é este o segundo argentino distinguio. Os três restantes prémios foram para os espanhóis António Mingote, Chumy Chuméz e El Roto.




O Prémio Quevedos possui um valor pecuniário de trinta mil euros (30.000€) e tem como objectivo distinguir a trajectória profissional dos humoristas gráficos espanhóis e ibero-americanos (Portugal incluído, naturalmente) cuja obra tenha tido um especial significado social e artístico contribuindo dessea maneira para a difusão e reconhecimento deste campo da cultura.

Quem é Ferro

Eduardo Ferro nasceu em 1917 na Argentina, onde vive. É considerado o decano absoluto do humor gráfico argentino da actualidade.

Aos 16 anos, iniciou-se no suplemento "El Purrete" do periódico Buenos Aires Herald. Seguiu colaborando na revista "La Cancha", onde fez nascer a sua personagem "Don Pitazo". Mais tarde colaborava na revista "Patoruzú", onde nasceram muitas das suas melhores personagens: "Langostino", "Bólido", "Tara service", "Pandora", entre outros.

Nos anos 40 publicou em "La Razón", onde criou "Chapaleo", personagem que se distribuiu em grande escala por toda a Latinoamérica.

Nos anos 80 iniciou a sua actividade docente e foi durante muitos anos professor de Humor Gráfico na Escola de Desenho de Carlos Garaycochea.

Em 1988 a editora Hispamérica publicou o livro "Lo que el vento devolvió", um dos poucos livros que compilam a obra de Ferro.

Em toda a sua obra, desde o simples cartoon até à mais elaborada história de banda desenhada, Eduardo Ferro salienta manifestamente as virtudes e defeitos do ser humano em particular e da sociedade em geral.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Colombiano residente em Alcalá (Madrid)
Turcios duplamente premiado

Omar Figueroa Turcios acaba de ser galardoado com dosi prémios na Bienal der Caricatura e Desenho Humorístico de Santa Cruz de Tenerife, organizada pelo município local.


Da acta do Juri:

Caricatura Pessoal
1º prémio: Omar Figueroa Turcios (Colombia- España) Obra: Federico García Lorca Reproduzido acima.

2º prémio: Dalcio S. de Oliveira Machado (Brasil)
Obra: Bin Laden
3º prémio: Franciso Ortíz González (Santander – España)
Obra: Tim Burton

Desenho Humorístico
1º prémio: Cláudio Antonio Gomez (Brasil)
Obra: Sombras
2º prémio: Omar Figueroa Turcios (Colombia-España)
Obra: sem título Reproduzido acima. (Não está a ser possível editar esta imagem. Tenhamos paciência... Tentarei mais tarde)
3º prémio: Jovan Prokopljevic (Serbia y Montenegro)
Obra: sem título

segunda-feira, dezembro 18, 2006

De Zé Oliveira Portugal
Recepção de desenhos termina no fim de Janeiro
Bienal de Cuba
Com lema: "Os Humoristas gráficos por um mundo de paz", A Unión de Periodistas de Cuba, o Círculo de Humoristas e Historietistas da UPEC e o Museo del Humor de San Antonio de los Baños, organizam a XV Bienal Internacional de Humorismo Gráfico Cuba 2007, que decorre de 25 a 29 de Março com o patrocínio da Dirección de Cultura de La Habana, e da Federación Latinoamericana de Periodistas (FELAP). O encontro, está abierto a todos os profissionais de humor gráfico do mundo, podendo concorrer nas seguintes categorias: Humor geral, Sátira política, Historieta humorística, Caricatura pessoal e Fotografía Humorística. Aceitam-se obras impressas processadas digitalmente em qualquer categoria das anteriormante mencionadas.
Podem ser enviadas até 3 obras por cada categoria. As obras em original serão realizadas en cualquer técnica com formato de 40 x 50 cm. no máximo. Devem incluir-se em cada obra en cada obra os siguintes dados del autor, Nome e Apelidos (Além do nome artístico), País, Categoria em que concorre, Direcção particular e Correio electrónico.
As obras devem ser enviadas, convenientemente embaladas, antes del 31 de Janeiro de 2007 a:
Unión de Periodistas de Cuba (UPEC)
XV Bienal Internacional de Humorismo Gráfico
Calle 23 no. 452,Vedado
Cuba. CP 10400

Telefones: 832 3722Fax: (537) 33 3079 Email: cip301@ cip. enet. cu
De Tomy Cuba

domingo, dezembro 17, 2006

De Zé Oliveira Portugal Há hoteis que não aceitam clientes com crianças! (Entenda-se pais com os respectivos filhos).
Tanto no caso deste cartoon como nos outros, obtém leitura mais eficaz se clicar sobre a figura.
De Ferreira dos Santos Portugal
De Banegas Honduras
De Alberto Ferreira Portugal
De Alberto Ferreira Portugal

...vai desactualizada. O Buraco tem estado parado, mas a evolução do Mundo não. Desculpa, Alberto. E cuida da tua saúde!

Z.O.

Um sorriso, para encerrar o ano

Para os leitores portugueses, direi que este link é imperdível. Para as visitas que espreitam o Buraco a partir do estrangeiro... terei de dizer que aquele senhor que está a receber cumprimentos está mandatado como presidente da República Portuguesa mediante o voto da maioria dos portugueses, que se revê nele como expoente máximo na Nação.
Então cliquem aí, e prreparem-se para rir.
http://www.youtube.com/v/BhJYBm3Zd-O

domingo, dezembro 03, 2006

As Boas Festas de
António Rocha António Diamantino Rocha é o representante em Portugal de M.Moleiro Editor SA, Barcelona (Espanha), uma casa especialista em facsimile de livros e documentos antigos, cuja fidelidade nas reproduções é levada ao extremo. É visitável em www.moleiro.com
As Boas Festas de
Angelines Angelines San José reside em Madrid e trabalha para a revista infanto-juvenil "Muy Interesante", desenhando também capas e ilustrações para livros.
Foi um dos cartoonistas distinguidos com uma menção honrosa no 1º GondoRRiso (Gondomar).
As Boas Festas de
Ortuño Alfonso Ortuño Salar tem a sua colaboração dispersa por mais de 30 periódicos e presentemenet pode ser apreciado em "Diez Minutos" e "Tiempo", ambos de Espanha. Também pintor e ilustrador, Ortuño tem, além do mais, um livro sobre arroz que é premiado pela Academia Española de Gastronomía.
Foi tertruliano de rádio na Antena 3.

sábado, dezembro 02, 2006

Há sempre um lusitano em toda a parte
Português testemunha episódio de Varela

Ainda Varela estava barricado no gabinete do director do El Nuevo Heraldo, no passado dia 24 (ver Buraco da Fechadura do dia seguinte), e já um português nascido em Lisboa em 1959 e chamado Rui Ferreira, seu colega de Redacção, relatava as últimas notícias no seu blog "Herejías y Caipirinhas" (http://ruiontheherald.blogspot.com).

Grande parte da informação aí contida consta do nosso post de 25 de Novembro. Mas não resistimos a transcrever este trecho que Rui Ferreira obteve via telefone: "Estás a falar com o novo director do jornal e estou aqui para desmascarar os verdadeiros conflitos do periódico. Aqui se enganam os exilados, há problemas com os salários (...) isto é uma pocilga e alguém tem de pagar, alguém tem de fazer isto, porque isto vai ser como limpar a merda(...).

Os comentários
Os comentários a esse post são de diversa natureza. Mas, como nos ajudam a enquadrar este episódio e o seu protagonista, transcrevemo-los a todos

aretino disse...
Hermano, tratándose de Varela, pensé que era un chiste, al punto que verifiqué la noticia en otras fuentes. Ahora es simplemente, trágico...

Enrique disse...
Con el exilio no se juega RuiBasta ya Como mismo he pedido la renuncia de Pedro Roig, el Nuevo Herald deberia despedir a todos los ñangaras que trabajan en tu periodico y enviarlos para Siberia para que puedan reportar de alla mucho mejorBoicott al Herald ya

Sócrates disse...
Esta hablando en serio?

Alberto disse...
Espero que esto no termine en una tragedia.

parlanchin disse...
En octubre 7, contestando un email del Sr.Peter Tiara de McClatchy, le dije lo siguiente: "Thanks for your response. It is clear by its recent actions that McClatchy's management are not sitting on their hands regarding this unfortunate saga. However, some of the people who contributed (some would say "conspire") to this deplorable situation from the beginning, namely Mssrs. Castelló and Fiedler, will be a drag on any efforts you undertake to regain the confidence of the Miami community. The "chihuahuas", I am afraid, like elephants, have a long memory. Just do the right thing."Si McClatchy hubiera hecho lo correcto entonces, este episodio se hubiera evitado.

Enrique disse...
Tratar con desprecio a la comunidad a la cual tu le sirves es un acto de desafio y de irresponsabilidad.El Miami Herald tiene todas las de perder

Camilo disse...
Una historia triste. José Varela se ha parapetado en una de las oficinas del Miami Herald, sólo, con una subametralladora y gritando a los cuatro vientos que el diario floridano apesta.Sus caricaturas son geniales. Pero al parecer no es todo.Qué pasó con Varela?Un "marielito" con talento, enredado en una situación de implicaciones cinematográficas. Y vinculos con los últimos acontecimientos acaecidos tras el advenimiento de una nueva directiva.

lg rodriguez disse...
por lo que han dicho al finalizar esta penosa situacion, varela estaba sufriendo problemas personales muy serios y hasta tenia una orden de restriccion de su ex-esposa, lo que da a entender que todo esto, y los comentarios que hizo me inclinan a pensar que esta pasando por una situacion psiquiatrica/psicologica muy seria.conozco a varela desde principios de los 80, y puedo decir que solamente un varela perturbado mentalmente seria capaz de hacer esto.lo menos que se puede hacer en este momento es no echandole mas lena al fuego, como las estupideces del analfabeto de enrique, que desde la borrachera de puerto rico ya esta pidiendo venganza y mas venganza.tenga la dignidad y verguenza de callarse la boca.

anticomunistoides disse...
I agree with PARLANCHIN and ENRIQUE. Something weird is happening there. What is it ? Maybe it is a comunistoide complot against cuban exiles.

Reideoro disse...
Yo creo que lo de Varela se debe a una situación de stress extremo por la que atraviesa. Hasta ahora nunca tuvo problemas en el periódico, que se haya sabido y Verela dice las cosas como las siente. Como caricaturista es bastante irreverente y nunca ha sido parte de los "verticales" y fanáticos de Ninoska y Pérez-Roura. De seguro que lo que ha pasado en El Herald lo ha incomodado, pero no creo que eso sea lo que lo motivó a tomar esta acción descabellad. Es un incindente como muchos otros que se suceden en este pais cuando la gente está bajo una gran tensión en sus vidas. Eso creo yo.

Magia disse...
Hola Chicos! He vuelto!Esto de Varela parece una película o CSI. Pero si el hombre es humorista: ¿qué hace con una ametralladora?Un beso
5:30 PM

Rui disse...
ok, LG

quinta-feira, novembro 30, 2006

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O episódio de El Nuevo Heraldo
A "metralhadora" de Varela era de plástico
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."Sou um homem feliz. Apesar do que choro quando vejo um filme como o Titanic. Porque não gosto de naufrágios"
Palavras de José Varela, retiradas de uma sua autobiografia publicada em El Nuevo Heraldo
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Na passada segunda-feira à noite, José Varela, o caricaturista cubano que "tomou pela força de uma metralhadora" a direcção do diário onde trabalha, num episódio rocambolesco que relatamos mais abaixo, teve de pagar uma caução de 75.000 dólares para ficar em liberdade.

O caricaturista, de 50 anos de idade e praticante de Karaté (segundo Puerto Rico Hoy) é acusado de três crimes com arma de fogo, embora não tenha usado mais do que uma metralhadora de plástico e uma faca, segundo Prensa.com de Panamá.



Este é um dos cartoons de Varela em El Nuevo Heraldo (Miami), um dos principais diários em língua espanhola que se publicam nos Estados Unidos.

Trata-se de um jornal publicado pelo The Miami Herald, da editora Mc Clatchy, e foi as egunda vez em pouco mais de um ano que o Nuevo Heraldo "virou" notícia de carácter violento: segundo a agência AFP, em Julho de 2005 um ex funcionário da cidade entrou no átrio do diário e, depois de falar por telefone com um repórter, disparou um tiro sobre a sua própria cabeça, tendo morrido pouco depois no hospital.

Voltaremos a este assunto

terça-feira, novembro 28, 2006

...o lápis é uma arma!
Se você não leu a notícia aí mais abaixo, onde se relata a rocambolesca aventura de um homónimo (e companheiro de... risco) do Onofre Varela, vá ler agora. Para que possa divertir-se com esta charge criada por Banegas em exclusivo para Buraco da Fechadura.
...e tome nota de que numa mistura da língua de Miami com a de Banegas (que é das Honduras e portanto fala castelhano) "O No Fre(e)" significa "Ou não livre" Obrigado, Banegas, por este divertido exclusivo!

segunda-feira, novembro 27, 2006

1º GondoRRiso
Humor sobre a mulher
na capital das filigranas
Uma visão bem humorada sobre a mulher, está patente em 52 cartoons expostos desde o passado sábado na galeria do Auditório Municipal de Gondomar.
A sessão de inauguração esteve invulgarmente concorrida, tendo Buraco da Fechadura testemunhado intensa fruição por parte dos visitantes.
Os trabalhos expostos resultaram de uma selecção dos 62 desenhos participantes, apresentados por 30 artistas, embora só 27 tenham apresentado obras com qualidade suficiente para exposição.
Estiveram representados seis países.
Paulo Fernandes (à esquerda) recebe trofeu e diploma das mãos da Professora Alzira, uma das directoras da ARGO. à direita, o presidente da Associação

O momento em que Zé Oliveira (à esquerda) recebe, em nome de Nani e Angelines, o troféu e diploma das respectivas Menções Honrosas, entregues por
Onofre Varela. Ainda na foto: Professora Alzira, Albertino Valadares e Fernando Paulo, vereador da Cultura (à direita)

Tiras de Diário do Alentejo, agora em livro
Verdadeiro Humor de
verdadeiros alentejanos
A próxima Quinta, 30 de Novembro, é a altura mais adequada para a população de Beja (e arredores, incluindo Lisboa e Algarve) comprar prendas de Natal muito originais e divertidas e (mão menos importante) a preço de ocasião. A partir das 18 horas, acrescente-se, na Bedeteca de Beja.
É nessa altura (e nesse local) que os autores estarão disponíveis para acrescentar à prenda a mais-valia do autógrafo, sem cobrarem mais por isso! (Cobram menos, creio, porque nos lançamentos os livros costumam ter desconto).


De que é que estamos a falar ?

“RIbanho” nasceu no início de 2003 a partir do convite feito por António José Brito (então director do Diário do Alentejo) a Luís Afonso e a Carlos Rico para desenvolverem uma tira para a última página do jornal. Surgiu assim o pseudónimo “Luca”, com as duas primeiras letras dos primeiros nomes de ambos.
Depois de terem criado as personagens em conjunto, dividiram tarefas: Luís escreveu semanalmente os textos, Carlos fez os desenhos e a tradução para alentejano (ainda que se exprima facilmente no alentejano falado, Luís Afonso tem alguma dificuldade em escrevê-lo). Passados quase quatro anos e quase duzentas tiras, chegou a altura de fazer um livro. Este, com uma selecção do melhor de Ribanho, ordenada por ordem cronológica.

A edição é da Prime Books.

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RIbanho, o riso alentejano

Geraldes Lino

À laia de preâmbulo, começarei por dizer que detesto anedotas sobre alentejanos, mesmo que, por vezes, tenha rido com algumas. Detestei, em especial, as que tiveram o seu apogeu maldoso no pós-25 de Abril.
Para cortar à nascença ilações falsamente óbvias, que fique claro: sou lisboeta, e não tenho nenhum familiar alentejano.
Impõe-se, pois, que esclareça já o porquê desta minha animosidade em relação às ditas anedotas. É que sempre detectei nelas laivos de achincalhamento, e não raro alguma intencionalidade política, associando à população daquela província intensa carga negativa de esquerdismo, além de preguiça, lentidão e estupidez.
Mas o que é que tem a ver essa minha interpretação onde se cruza o Alentejo com anedotas e política, se o que está em causa é, tão-somente, apresentar um livro de "cartoons", da autoria de "Luca" –, publicados inicialmente nas páginas de um jornal?
Tem tudo a ver: o jornal é o Diário do Alentejo, e "cartoons", esse anglicismo tão vulgarizado, é algo classificável, simplificadamente, como anedotas ilustradas. Sobretudo, repare-se na coincidência: têm alentejanos como personagens, tal como os dois autores – e, claro, nem um nem outro são homens de direita.
Assim sendo, seria de esperar uma espécie de vingança, tipo, agora vamos nós gozar com quem tanto nos tem gozado? Posso afirmar que uma atitude desse género não faria sentido para eles, conhecendo-os como eu os conheço.
Luís Afonso nasceu em Aljustrel (1965).Ex-professor de Geografia, ex-técnico de Desenvolvimento Local, vive em Serpa, onde exerce a tempo inteiro a inacreditável profissão de cartunista (escrever "cartoonista" é tão absurdo como seria se escrevesse "footebolista"), fazendo para o jornal Público, diariamente, o já famoso (tanto que até motivou uma peça teatral) "Bartoon", e ao sábado "A Semana Política", sendo domingo o dia propício para a "Sociedade Recreativa" na revista semanal Pública. Mas todos os dias são bons para Luís Afonso fazer rir com o barbeiro que espalha as suas tiradas irónicas sobre desporto em geral, e futebol em particular, na tira de três vinhetas intitulada "Barba e Cabelo", no diário desportivo A Bola, onde também, mas nesse caso ao sábado, esgalha "Humor Ardente". A brincar com impostos, fugas aos ditos, preços do petróleo, cotações do euro, e assuntos quejandos, faz de 2ª a 6ª uma tira intitulada "SA" no Jornal de Negócios. Como às três da madrugada de 6ª feira normalmente ainda lhe apetece fazer mais qualquer coisinha, o cartunista alentejano lembra-se do compromisso que tem com a revista Sábado e para ela desenha um "gag" em que brilha um tal "Lopes, o repórter pós-moderno". Depois de tudo isto – que só de ler, cansa – ainda conseguiu imaginação para criar "Sol aos Quadradinhos", e tempo para os desenhar, no novel semanário Sol.
Carlos Rico nasceu em Moura (1968), onde vive e trabalha como gráfico do respectivo sector da Câmara Municipal, em representação da qual é o principal responsável pela realização anual do Salão Internacional de Banda Desenhada de Moura. Paralelamente, é também cartunista, e nessa qualidade já colaborou no Além Tejo Económico, de Évora, no quinzenário A Planície, de Moura, estando actualmente a desenhar a rubrica "Cartoon" no semanário Jornal do Sporting.
Como se isto fosse pouco para estes dois preguiçosos alentejanos, em Fevereiro de 2003 resolveram formar uma dupla, usando o pseudónimo de "Luca" ("Lu" de Luís, e "Ca" de Carlos), e com ela criaram a rubrica "RIbanho" no Diário do Alentejo. Desde então, semanalmente, têm posto em cena, com muita graça, personagens a analisar os acontecimentos que afectam o Alentejo, a comentar as decisões do governo do país ou simplesmente dos governantes locais, apenas fazendo os seus autores uma pequena concessão: a de gozarem com o sotaque dos "compadris" – afinal de contas, também o deles –, o que, em última análise, significa que se riem, com bonomia, de si próprios.


Acontece, naturalmente, haver por vezes, nesses curtos "gags" (imaginados e escritos pelo Luís, desenhados e coloridos pelo Carlos), intervenientes algo ingénuos, ou, em contrapartida, terem acutilante sentido crítico, sendo que, com frequência, os diálogos se mostram certeiros, oportunos e actuais em relação aos acontecimentos. Leia-se, por exemplo, este:

"– Parece c'as tropas portuguesas fizeram uma simulação de guerra ali p'ròs lados de Grândola, "compadri"!
– Uma guerra a "brincari"?!
– Claro, "compadri"!… Se fosse a sério chamavam-se os americanos!"

Acrescente-se a este acerado humor as imagens caricaturais – mas um caricatural amável, quase ternurento – dos dois alentejanos protagonistas, acompanhados na última vinheta por um burro que troca olhar cúmplice com o leitor/visionador, e ter-se-á a noção do exemplar funcionamento deste género de comentário figurativo.
Por trás dessas imagens que "falam" usando "balões" de banda desenhada, está a excelente capacidade de análise divertida e sempre oportuna da invulgar dupla de autores, talentosos alentejanos que se mantêm firmes na sua terra, defendendo-a com a terrível arma do humor, sem necessidade de balas achincalhantes.




Carlos Rico

Nasce em Moura, em 1968.
Desempenha, na Câmara Municipal de Moura, as funções de “designer”, no respectivo Sector Gráfico.
Coordena o “Moura BD – Salão Internacional de Banda Desenhada”, certame que, desde 1991, a Câmara de Moura tem vindo a promover.
Desde 1990 publica “cartoon” na imprensa. Primeiro, no Diário do Alentejo (onde começou com “Beto, o traquinas”, uma série em forma de tira, cujos protagonistas eram um grupo de miúdos); pouco depois, n’ A Planície (onde, na última página, publicou, durante cerca de quatro anos, a série “Fecho... é claro”).
Mantém a colaboração com o “DA” (até hoje). Pelo meio, colabora esporadicamente em inúmeras publicações (Revista da Água, Jornal de Almada, O Ás, A Voz de Paço d’Arcos, Notícias do Entroncamento, etc) e, com alguma regularidade, no Além Tejo Económico, enquanto o projecto dura (alguns meses).
Em 1999 começa a publicar “cartoon” no jornal do Sporting. É uma experiência completamente nova, dado que as ideias lhe são fornecidas pelo jornal. Apenas o traço (a preto) é seu. Este esquema dura até 2001. Pára durante dois anos. Em 2003, ao mesmo tempo que o jornal sofre uma mudança gráfica, reinicia a colaboração, publicando, semanalmente, um “cartoon” a cores, que ilustra textos humorísticos de temática desportiva. Em 2005, a página de humor é suprimida e passa a publicar, a cores, na última página, uma série de tiras cujo principal personagem – um leão, claro – foca temas relacionados com o clube de Alvalade e com o futebol em geral.
Em Fevereiro de 2003 cria com Luís Afonso a série “Ribanho” assinada sob o pseudónimo de LUCA.
Publica o álbum “A Moura Salúquia”, em banda desenhada, sob edição da Câmara Municipal de Moura (1995). Seguem-se “HumoRico” (1996, edição da Associação Jogo de Imagens) e “Um sorriso no... ar!” (1998, Edições Polvo).
Ilustra livros infanto-juvenis, com textos de Maria Eugénia Fernandes, sob edição das Câmaras de Moura (A canção do Pastor, Um céu de lata e Nas nuvens também há flores) e de Barrancos (Manolito, o bixarrácu e a Fêra de Agohtú; Manolito, o bixarrácu e o presépio encantado; Manolito, o bixarrácu e o cahtélu de Noudá).
É Convidado Especial na Tertúlia BD de Lisboa, em 2000.
Recebe o Troféu Sobredão, em 2002, no salão BD da Sobreda.
Em 2006 recebe o Prémio Mais Ilustração atribuído pela revista Mais Alentejo.
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LUÍS AFONSO

Natural de Aljustrel (1965), casado, três filhos.
Residente em Serpa. Licenciado em Geografia pela Universidade de Lisboa (1988).
Leccionou no ensino secundário e trabalhou para autarquias em projectos de desenvolvimento local/regional até 1995.
A partir desse ano dedicou-se exclusivamente aos cartoons, actividade que havia iniciado dez anos antes, quando estudava em Lisboa.
Começou n’O Diário/fim-de-semana, passando por vários jornais e revistas.
Mantém colaborações permanentes em A Bola (desde 1990), Público (1993), Jornal de Negócios (2003), Sábado (2004) e Sol (2006).
Desde 2003 escreve os textos da tira RIbanho, com desenhos de Carlos Rico, no Diário do Alentejo.
É autor dos livros Bartoon (1996), Selecção (1996), Bartoon 2 (1998), Bartoon 3 (2000), editados pela Contexto; e de Bartoon 10 anos (2003), Futebol Por Linhas Tortas (2004) e Sociedade Recreativa (2005), editados pelas Publicações D. Quixote.

sábado, novembro 25, 2006

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Humorista cubano em desespero
Armado de UZI, caricaturista Varela tenta tomar direcção de jornal em Miami


O caricaturista cubano de "El Nuevo Herald" José Varela entregou-se a à polícia de Miami, depois de permanecer armado no interior do gabinete do editor do diário, Humberto Castelló. Un portavoz da polícia de Miami confirmou que a situação terminara com a entrega de Varela às autoridades depois de ter permanecido entrincheirado e armado com uma pistola-metralhadora no gabinete de Castelló durante quase quatro horas. Os jornalistas Tomás García Fusté e Juan Manuel Cao, amigos de Varela, falaram com ele convenceram-no a entregar-se. García Fusté explicou ao canal de televisão 51, da cadeia Telemundo, que Varela o chamou por telefone e lhe declarou que que era ele o novo director do"Nuevo Herlad" e que pretendia acabar com os problemas do jornal.


Varela entregou-se à polícia sem violência, depois de ter explicado a um jornalista de "El Nuevo Herald" que estava "preparado para morrer e que se considera um homem morto". Varela, segundo explicou à agência Efe Rui Ferreira, jornalista do diário, exigia que se cumprissem tres pontos para entregar as armas: a renúncia do director de "El Nuevo Herald", Humberto Castelló, e do subchefe de redacção, Benigno Dou. En terceiro lugar, Varela, armado com uma pistola-metralhadora UZI, pedia que se "divulgue a verdade do exílio cubano em 'The Miami Herald'", reclamando também a renúncia do seu director, Tom Fiedler, que fez comentários depreciativos acerca dos exiliados cubanos em Miami que qualificou de "pequeños chihuhuas". Varela solicitava que o periódico "comece a tomar uma posição de respeito perante o exílio cubano", referiu Ferreira."Estou sereno e tratando de concentrar-me tanto quanto possa", disse Varela em conversa telefónica com Ferreira."Varela, que está só, pidiu para falar com o padre Alberto Cutié (sacerdote católico da comunidade hispana dos EUA)", acrescentou Ferreira. Varela entrou na redacção cerca das 10.40 (15.40 GMT) vestido com uniforme militar camuflado e óculos escuros e, depois de sustentar uma discução com um dos editores de fotografia, dirigiu-se ao gabinete do director, que estava vazio, onde se entrincheirou. Varela, que écinturão negro de kárate, tem dois filhos e desde há três meses está separado de sua esposa.



O edifício do jornal chegou a estar evacuado, com funcionários e polícias no exterior. Entretanto, o caricaturista declarava que não faria reféns.
A dado passo, afirmou por telefone a um colega: "Estás a falar com o novo director do jornal, e estou aqui para desmascarar os verdadeiros conflitos do periódico. Aqui enganam-se os exilados, há problemas com os salários".
Varela acrescentou, para justificar a sua atitude, que "se sentia inseguro na área de Júpiter (uma localidade a norte de Miami), para onde se havia mudado, após o divórcio".

Foto 1: Redacção do Miami Herald
Foto 2: Funcionários e polícias no exterior do jornal, durante o incidente
Notícia enviada por Dario Banegas (Honduras)

Comentário
Um caricaturista é um trabalhador com tanta obrigação de se comportar com bom senso como qualquer outro cidadão. Mas parece que existem alguns que levam demasiado à letra as situações que imaginam e desenham, como se fosse possível passarem a sua própria vida para dentro da cercadura dos seus desenhos e viverem ali, em carne e osso, as suas aventuras de rambos, tal qual as inventam nos seus cartoons metafóricos.

A vida não é uma metáfora.

Quase ao mesmo tempo que este caricaturista vestia um camiflado e empunhava uma UZI para "tomar de assalto" a direcção do "seu" jornal, um rapaz na Alemanha suicidava-se depois de ter espalhado o terror nos corredores de uma escola com a sua metralhadora e, também ele, vestindo camuflado militar.

Durante três anos, fui obrigado a vestir um camuflado militar (um ano em Portugal e dois em Angola). E não me ficaram saudades dele. Nem desejo conquistar coisa alguma à força de G3, que foi a espingarda-metralhadora que melhor me ensinaram a manejar.

As armas são como os cigarros: só existe um proveito em ter fumado, que é saber quanto tem de maléfico o tabaco. E não desejo esse proveito a ninguém.

Zé Oliveira